Após operação militar na Venezuela, Trump ameaça atacar a Colômbia e eleva tensão nas Américas
Menos de 48 horas após a operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, o presidente norte-americano Donald Trump ampliou o discurso de confronto na América Latina e afirmou que a Colômbia pode se tornar o próximo alvo de uma ação militar americana. A declaração representa uma escalada inédita nas tensões diplomáticas entre Washington e Bogotá, dois países historicamente aliados na região.
A fala de Trump ocorreu durante uma entrevista concedida a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, na noite de domingo, 4 de janeiro. Questionado sobre os próximos passos da política externa americana após a ofensiva contra o regime venezuelano, o presidente afirmou que a Colômbia estaria “muito doente” e sob o comando de um líder que, segundo ele, se beneficia diretamente da produção e do tráfico de cocaína para os Estados Unidos.
“A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, declarou Trump, em um dos ataques mais duros já feitos publicamente contra o governo colombiano.
Durante a mesma conversa, Trump mencionou ainda a possibilidade de operações militares em outros países da região, como México e Cuba, sinalizando uma postura mais agressiva dos Estados Unidos em relação ao combate ao narcotráfico e a governos considerados hostis à Casa Branca. Ao ser questionado de forma direta se suas declarações indicavam uma eventual ação militar contra a Colômbia, o presidente respondeu sem hesitação: “Para mim, parece ótimo”.
O principal alvo das críticas é o presidente colombiano Gustavo Petro, que nos últimos meses tem adotado uma política externa mais alinhada a governos de esquerda da América Latina e criticado abertamente ações dos Estados Unidos na região. Trump já havia afirmado anteriormente que Petro seria um “traficante produtor de cocaína”, acusações que Bogotá classifica como ofensivas e infundadas.
Analistas internacionais avaliam que as declarações de Trump representam uma ruptura significativa no histórico de cooperação entre Estados Unidos e Colômbia, especialmente na área de segurança e combate ao narcotráfico.
A retórica agressiva também acende um alerta sobre uma possível reconfiguração da política externa americana para a América Latina, marcada por intervenções diretas e confrontos abertos com governos de esquerda.
O episódio ocorre em um momento de elevada instabilidade geopolítica no continente, agravada pela recente operação militar na Venezuela. Especialistas alertam que a combinação de retórica dura, ações militares e disputas ideológicas pode inaugurar uma nova fase de conflitos diplomáticos e estratégicos nas Américas, com impactos diretos na segurança regional.