Sucessora da ditadura manda prender todos os que apoiarem prisão de Maduro

A queda do regime de Nicolás Maduro abriu um segundo capítulo na história recente da Venezuela: o da responsabilização. As autoridades venezuelanas determinaram a prisão de ex-ministros, dirigentes partidários, operadores políticos e aliados estratégicos que, por anos, sustentaram o aparato autoritário. A mensagem é direta. Não se trata apenas de mudar o ocupante do poder, mas de mostrar que quem colaborou com a corrosão das instituições, com a perseguição a opositores e com o colapso econômico também terá de responder.

O movimento reflete um padrão que começa a se consolidar na região. Regimes que apostaram no controle absoluto, na politização da Justiça e no uso do medo para governar descobriram que a impunidade não é eterna. Quando o Estado deixa de servir à população e passa a servir a um grupo, a conta chega. Na Venezuela, ela veio em forma de hiperinflação, êxodo em massa, serviços públicos destruídos e uma sociedade esgotada. Agora, vem também em forma de processos, investigações e detenções.

Os alvos das prisões não são figuras secundárias. Muitos comandaram setores-chave, ajudaram a blindar decisões ilegais e participaram de esquemas que atravessaram as fronteiras. A nova etapa busca reconstruir a confiança institucional, ainda que o caminho seja longo e complexo. O recado é claro para outras lideranças na América Latina e além. Apoiar, financiar ou legitimar projetos autoritários tem consequências.

O que se vê na Venezuela é um ponto de virada. A ideia de que ditaduras conseguem sobreviver indefinidamente perde espaço diante de sociedades mais informadas, pressão internacional coordenada e mecanismos de investigação mais robustos. Para os venezuelanos, é também um gesto simbólico. Significa reconhecer que a tragédia que o país viveu teve responsáveis concretos. E que, desta vez, ao contrário do passado, eles não poderão simplesmente desaparecer no silêncio.

Diretamente dos EUA

Coluna de @graziellecoppola

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