A elite brasileira age como se o cidadão fosse incapaz de entender o óbvio.
Quando o TCU decide investigar por que o Banco Central liquidou o Banco Master mesmo havendo propostas de compra na mesa, a reação é histérica: “não toquem no sagrado”.
Mas a pergunta continua sem resposta: se havia interessados dispostos a assumir o risco e pagar a conta, por que o BC preferiu liquidar tudo e gerar prejuízo bilionário ao sistema? Isso não é rigor técnico. É sadismo burocrático.
As desculpas não se sustentam. Dizem que o TCU é político. E daí? O despacho mostra que o próprio BC aprovava atos do banco dias antes da liquidação. Isso é esquizofrenia regulatória. O erro está escancarado, independentemente de quem o aponta.
Também vendem a mentira de que transparência afasta investidores. O que afasta investidor é imprevisibilidade. Um regulador que aprova hoje e destrói amanhã, sem explicar por quê, é o verdadeiro risco sistêmico.
A obscenidade não é um banco quebrar. Bancos quebram. A obscenidade é a grande mídia agir como assessoria da tecnocracia e dizer que saber a verdade é perigoso. O TCU só acendeu a luz. E, quando a luz acende, as baratas correm.