Nos discursos e nas redes sociais, muitos artistas identificados com a esquerda falam com admiração sobre Cuba e Venezuela. Repetem que seriam modelos de igualdade, resistência e justiça social. Mas basta olhar para as escolhas reais que fazem fora dos refletores para que a contradição fique evidente. Quando chega a hora de levar a família para passear, o destino não é Havana nem Caracas. O roteiro passa por Orlando, parques temáticos, compras e toda a experiência que apenas economias abertas conseguem oferecer.
Essa diferença entre o que se prega e o que se pratica diz muito sobre a distância entre o mito e a realidade. Se os regimes exaltados fossem tão exemplares, seriam também lugares desejados para férias, consumo e segurança. Não são. E essa lógica se repete em algo ainda mais revelador. Na hora de decidir onde morar, educar os filhos ou investir, os mesmos defensores de projetos autoritários escolhem democracias consolidadas. Buscam os Estados Unidos, Nova Iorque, cidades da Europa, Portugal. Lugares onde a liberdade econômica, o Estado de Direito e as oportunidades existem justamente porque não há autoritarismo.
O gesto é silencioso, mas claro. Vivem, consomem e planejam o futuro em sociedades que funcionam graças ao capitalismo que tantas vezes criticam. Enquanto isso, as populações dos países que exaltam enfrentam escassez, filas, censura e poucas perspectivas. O problema não é viajar ou buscar qualidade de vida. O problema é sustentar um discurso que não se aplica à própria vida.
No fim, fica a sensação de que a defesa desses regimes é confortável apenas no palco, na letra da música e nas entrevistas. Na prática, quando o assunto é bem-estar da família, estabilidade e liberdade, a escolha recai sempre sobre democracias abertas. É um contraste que dispensa explicações e revela qual modelo, no fundo, realmente funciona.
Diretamente dos EUA
Coluna de @graziellecoppola