O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, anunciou sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta quinta-feira (08), após quase dois anos à frente da pasta. A decisão foi formalizada em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, antes da cerimônia que marcou os três anos da tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023. Lewandowski, que havia considerado sua saída desde o ano passado, decidiu deixar o cargo após o apoio de Lula, mas agora surgem discussões sobre o futuro da pasta.
Possibilidade de desmembramento e a sucessão de Lewandowski
Com a saída de Lewandowski, há a possibilidade de a pasta ser desmembrada em duas: o Ministério da Justiça e o Ministério da Segurança Pública. Nos bastidores, comenta-se que essa divisão foi evitada até o momento para não diminuir o poder do ministro publicamente, mas a discussão voltou à tona com a saída de Lewandowski. Algumas figuras do governo e políticos têm opiniões divergentes sobre a separação da pasta, com alguns acreditando que a divisão poderia enfraquecer o ministério e reduzir a relevância do novo ministro.
Entre os nomes cogitados para suceder Lewandowski estão o senador Ricardo Pacheco (PSD-MG), que poderia ser uma escolha para agradar ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Outro nome em discussão é o de Camilo Santana, atual ministro da Educação e ex-governador do Ceará, que tem experiência na área de segurança pública. Outros possíveis sucessores incluem Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Vinicius Carvalho, controlador-geral da União.
O legado de Lewandowski e os desafios futuros para o governo Lula
Lewandowski assumiu o ministério em meio a um clima de tensão com os bolsonaristas e foi responsável por diversas iniciativas, incluindo a implementação da PEC da Segurança Pública, que visa ampliar as competências da União no combate ao crime organizado. No entanto, a proposta não foi votada no ano passado, contrariando as expectativas do governo e do próprio Lewandowski.
Durante sua gestão, Lewandowski destacou as conquistas como a homologação de terras indígenas, a implantação de câmeras corporais em estados brasileiros, além da retirada de circulação de mais de 5.600 armas e 298.844 munições. Ele também enfatizou avanços no combate à violência contra a mulher e a criação do Programa Celular Seguro.
A saída de Lewandowski é apenas a primeira de uma série de mudanças no governo federal em 2026. Até abril, aproximadamente 20 ministros deverão deixar seus cargos para concorrer nas eleições de outubro. A possível saída de outros aliados de Lula, como o ministro Fernando Haddad, aumenta as especulações sobre novos rearranjos políticos dentro do governo.