Do vinho aos carros: como o acordo Mercosul-UE pode baratear produtos no bolso dos brasileiros

Lula reinuão mercorul

Aprovação do acordo cria expectativa de redução gradual de preços para itens importados da Europa

Redução tarifária em etapas beneficia consumidores no médio e longo prazo

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) entra na fase final, com aprovação provisória pela UE em 9 de janeiro de 2026. O tratado, que une cerca de 720 milhões de consumidores (450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul), representa 25% do PIB global e visa eliminar gradualmente tarifas alfandegárias, facilitando o comércio bilateral. No Brasil, principal economia do Mercosul, os efeitos devem alcançar o consumo cotidiano, com maior oferta de produtos europeus a preços mais acessíveis, além de benefícios para setores produtivos como agronegócio e indústria.

Estudo do Ipea projeta elevação do PIB brasileiro em 0,46% até 2040 (equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões), superior ao ganho estimado para a UE (0,06%) e demais países do Mercosul (0,2%). O acordo também impulsiona investimentos no Brasil em 1,49%. A Apex-Brasil estima R$ 7 bilhões adicionais em exportações brasileiras, ampliando o acesso a um mercado de alto poder aquisitivo.

Produtos que devem ficar mais baratos para o consumidor brasileiro

Vinhos, queijos, azeites, chocolates e carros europeus ganham competitividade

A redução gradual de tarifas deve baratear itens importados da UE. Vinhos, queijos, lácteos, azeite, chocolate e bebidas destiladas terão acesso diferenciado, com queda de preços no médio e longo prazo. Carros importados da Europa, hoje taxados em 35%, terão a tarifa zerada em até 15 anos, com efeitos iniciais em 2-3 anos devido a cadeias globais de suprimentos. Medicamentos e produtos farmacêuticos (incluindo veterinários), que representam mais de 8% das importações da UE para o Brasil, também tendem a ficar mais acessíveis.

No agronegócio, tecnologias europeias como máquinas, tratores, fertilizantes, implementos agrícolas, drones e sistemas de agricultura de precisão chegam mais baratas, reduzindo custos de produção e beneficiando toda a cadeia, inclusive pequenos e médios produtores.

Especialistas como Regiane Bressan (Unifesp) destacam que a integração favorece os consumidores com preços mais baixos. Rodrigo Provazzi (Provazzi Consultoria) prevê impacto inflacionário pequeno, com redução de preços no médio/longo prazo. Leonardo Munhoz (FGV) enfatiza os benefícios em cascata para o agronegócio.

Impactos nas exportações e possíveis efeitos nos preços internos

Ampliação de mercados para carnes, etanol e calçados, com risco mínimo de alta interna

Exportações brasileiras para a UE (US$ 49,8 bilhões em 2025) devem crescer, com tarifas zeradas em prazos variados: calçados (3-7% em até 4 anos), uvas (14% ao entrar em vigor) e 77% dos produtos agropecuários (carnes, frutas, grãos). Isso pode gerar mais empregos em produtos de maior valor agregado e fortalecer a balança comercial.

Embora haja possibilidade de preços internos ligeiramente mais altos para itens exportados em volume (como carnes e etanol) devido à redução da oferta local, especialistas consideram o impacto pequeno e improvável de afetar significativamente o bolso, graças a mercados substitutos e dinâmica interna.

O acordo ainda depende de ratificações finais pelo Parlamento Europeu e congressos nacionais do Mercosul, com assinatura prevista para 12 de janeiro no Paraguai. A implementação será gradual, com prazos de transição para setores sensíveis, evitando choques abruptos.

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