Hospitais no Irã entram em crise com sobrecarga de feridos por protestos em massa, relatam médicos

Médico em hospital Iran

Relatos de médicos revelam emergência lotada e falta de recursos em Teerã e Shiraz

Ferimentos graves por bala na cabeça e olhos levam a suspensão de cirurgias não urgentes

Médicos de hospitais em Teerã e Shiraz relataram à BBC, em contatos via satélite Starlink devido ao bloqueio quase total de internet no país desde 8 de janeiro de 2026, que as unidades estão em crise com sobrecarga de feridos decorrentes dos protestos em massa. No Hospital Farabi, principal centro oftalmológico de Teerã, os serviços de emergência estão lotados, com grande número de pacientes com ferimentos de bala na cabeça e nos olhos, levando à suspensão de internações e cirurgias eletivas. Um médico contatado na noite de 9 de janeiro descreveu a situação como “crise”, com equipe convocada emergencialmente.

Em Shiraz, sudoeste do Irã, um paramédico informou que “não há médicos suficientes para lidar com o grande número de pacientes”, muitos com lesões graves semelhantes. Os protestos, iniciados em 28 de dezembro de 2025 contra a inflação galopante, desvalorização do rial e alto custo de vida, evoluíram para manifestações amplas em dezenas de cidades, com marchas no centro de Teerã, incêndios em veículos e edifícios, e confrontos com forças de segurança.

Balanço de vítimas e repressão governamental

Pelo menos 50 manifestantes mortos e mais de 2.300 presos, segundo ONGs

Organizações de direitos humanos como a Human Rights Activist News Agency (HRANA) registram pelo menos 50 manifestantes e 15 membros das forças de segurança mortos desde o início dos atos. A Iran Human Rights (IHRNGO) confirma 51 mortes de manifestantes, incluindo nove crianças, com a BBC Persian verificando identidades de 22 vítimas por meio de familiares. Mais de 2.311 pessoas foram presas, e há relatos de invasões em hospitais por forças de segurança para deter feridos, uso de gás lacrimogêneo dentro de unidades médicas e detenções arbitrárias, inclusive de menores.

O regime classifica os atos como “terrorismo” e “vandalismo” fomentados por inimigos externos, com o líder supremo Aiatolá Ali Khamenei afirmando que a República Islâmica “não recuará” e que “elementos destrutivos” serão enfrentados. O braço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) emitiu alertas de retaliação contra “planejadores” de insegurança, reforçando que a defesa do regime é linha vermelha.

Contexto econômico e reações internacionais

Inflação e crise impulsionam protestos; Trump ameaça intervenção

Os protestos são desencadeados pela “quase impossibilidade de sobreviver” devido ao colapso econômico, com alta nos preços de alimentos e bens essenciais. Diferentes dos anteriores (como os de 2022 pela morte de Mahsa Amini), os atos atuais envolvem pessoas comuns, estudantes e amplo espectro social, com slogans por liberdade e críticas diretas ao clero no poder.

Internacionalmente, o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou em 7 de janeiro: “É melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar” e ameaçou atacar “com muita força”. O Irã acusou os EUA de interferência via carta à ONU. Líderes da França, Reino Unido e Alemanha apelaram pela proteção ao direito de protesto pacífico. O país permanece sob bloqueio de internet, cancelamentos de voos internacionais e restrições a jornalistas estrangeiros, dificultando verificações independentes.

A situação continua tensa, com protestos se espalhando por dezenas de províncias e risco de escalada maior.

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