O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou piora no estado de saúde enquanto cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Segundo declaração do filho Carlos Bolsonaro, divulgada em rede social neste domingo (11/01/2026), as crises persistentes de soluços evoluíram para um quadro de azia constante, impedindo alimentação adequada e sono. O médico particular do ex-presidente foi acionado para atendimento na prisão.
Declarações de Carlos Bolsonaro
Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro, publicou que o médico foi chamado à prisão após informações sobre o agravamento do quadro. “O médico do meu pai foi chamado hoje, domingo, 11 de janeiro de 2026, à prisão, após sermos informados de que suas crises persistentes de soluços evoluíram para um quadro de azia constante, o que o impede de se alimentar adequadamente e de dormir. É perceptível, ainda, o grave abalo psicológico que sofre, agravado pelo fato de permanecer sozinho na solitária”, escreveu.
A defesa protocolou, no fim de semana, novo pedido de prisão domiciliar humanitária junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, até o momento da publicação, não havia sido apreciado.
Contexto da prisão e histórico de saúde
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, imposta pela Primeira Turma do STF, por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio e deterioração do patrimônio tombado. A condenação refere-se à liderança em movimento que contestou o resultado da eleição presidencial de 2022 e aos atos de 8 de janeiro de 2023.
O ex-presidente esteve em prisão domiciliar desde 4 de agosto de 2025, mas foi novamente detido preventivamente no fim de novembro após tentativa de romper a tornozeleira eletrônica. Ele permanece em cela na sede da PF em Brasília, sob decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
O histórico médico inclui sequelas da facada sofrida em 2018 durante a campanha eleitoral. Recentemente, passou por cirurgias: correção de hérnia inguinal bilateral e procedimentos para bloquear o nervo frênico (entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026), além de operação de 12 horas para desobstrução intestinal em abril de 2025. Em 6 de janeiro de 2026, sofreu queda na cela, resultando em traumatismo craniano leve, conforme exames realizados após ida temporária ao hospital.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postou, há poucos dias, que o marido apresenta perda de equilíbrio ao se levantar, atribuída a medicamentos, e criticou mudanças na segurança prisional.
Atendimentos médicos recentes
Na semana passada, Bolsonaro deixou a prisão temporariamente para exames após a queda. O médico Brasil Caiado informou sobre o traumatismo craniano leve, sem danos cerebrais. A desorientação foi associada à interação de medicamentos. Ele retornou à prisão no mesmo dia. A Polícia Federal não respondeu à Folha de S.Paulo sobre o atendimento mais recente.
Implicações e pedido de domiciliar
O agravamento do quadro de saúde, incluindo azia constante, crises de vômito, dificuldade alimentar e sono, além do abalo psicológico pelo isolamento, motivou o novo pedido de prisão domiciliar. A defesa argumenta condições humanitárias para transferência do regime. O STF ainda não analisou o requerimento.
O caso reforça debates sobre condições de detenção de ex-autoridades com problemas de saúde crônicos, em meio ao cumprimento de pena por crimes contra o Estado Democrático de Direito.