Trump zomba da defesa da Groenlândia e afirma que EUA a obterão ‘de um jeito ou de outro’

trump zomba da defesa da groenlândia e afirma que eua a obterão 'de um jeito ou de outro' (1)
trump zomba da defesa da groenlândia e afirma que eua a obterão 'de um jeito ou de outro' (1)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou as declarações sobre a Groenlândia em 11 de janeiro de 2026, zombando do sistema de defesa do território autônomo dinamarquês e reiterando a intenção americana de controlar a ilha. Em conversa com repórteres a bordo do Air Force One, Trump descreveu a defesa groenlandesa como “dois trenós de cães” e afirmou que os EUA a adquirirão “de um jeito ou de outro”, preferencialmente por acordo, mas sem descartar outras vias.

Declarações diretas de Trump

Trump destacou a fragilidade da defesa local: “E a defesa da Groenlândia é dois trenós de cães. Você sabia disso? Você sabia que a defesa deles é dois trenós de cães?”. Ele prosseguiu: “Claro, eu adoraria fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas de um jeito ou de outro, nós vamos ter a Groenlândia”. O presidente argumentou que, sem ação americana, Rússia ou China assumirão o controle: “Se nós não obtermos a Groenlândia, a Rússia ou a China obterá a Groenlândia e eu não vou deixar isso acontecer. A Groenlândia não quer ver Rússia ou China tomando o controle”.

Ele mencionou a presença de destruidores e submarinos russos e chineses na região, afirmando: “Ao mesmo tempo, você tem destruidores e submarinos russos e chineses por todo lugar. Nós não vamos deixar isso acontecer. E se isso afetar a Otan, então afetará a Otan. Mas eles precisam de nós muito mais do que nós precisamos deles”.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reagiu ao comentário sobre os trenós de cães com um riso sutil durante a interação.

Contexto estratégico da Groenlândia

A Groenlândia, maior ilha do mundo, abriga desde 1951 a Base Aérea de Thule, a instalação militar americana mais setentrional, essencial para monitoramento, defesa antimísseis e vigilância espacial no hemisfério norte. O território possui vastas reservas de minerais críticos – como terras raras, lítio e cobalto – usados em tecnologias militares, eletrônicos e energias renováveis, com exploração atualmente dominada pela China.

A localização entre América do Norte, Rússia e rotas árticas ganhou relevância com o derretimento do gelo, abrindo novas vias marítimas e acesso a recursos. Trump reviveu o tema de seu primeiro mandato (2017-2021), quando propôs compra da ilha, rejeitada pela Dinamarca. Desde janeiro de 2025, as declarações se intensificaram, incluindo discussões sobre opções que vão de negociação a uso de força.

Reações da Groenlândia e Dinamarca

Líderes dos cinco partidos do Parlamento groenlandês emitiram declaração conjunta: “Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses: queremos ser groenlandeses”. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, cobrou: “Basta! Chega de pressões. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos a discussões. Mas isso deve ser feito através dos canais adequados e conforme o direito internacional”.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou a tentativa de anexação como absurda. A União Europeia, por meio da porta-voz Anitta Hipper, defendeu a soberania: “A UE continuará a defender os princípios da soberania nacional, da integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras”.

Implicações geopolíticas e tensões na Otan

As falas de Trump escalam tensões com aliados da Otan, incluindo Dinamarca. Declarações anteriores indicaram disposição de sacrificar a aliança ou ignorar o direito internacional. A Europa prepara respostas, como fortalecimento de forças na região ártica ou negociações sobre acesso a minerais. O episódio reflete competição no Ártico, com Rússia e China expandindo presença militar, em meio a disputas por rotas e recursos.

O tema domina debates internacionais, com risco de impacto na coesão da Otan e na ordem global pós-Segunda Guerra.

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