Novos acordos deixam um terço do comércio brasileiro com tarifas reduzidas

novos acordos deixam um terço do comércio brasileiro com tarifas reduzidas
novos acordos deixam um terço do comércio brasileiro com tarifas reduzidas

A entrada em vigência de três novos acordos de livre comércio negociados pelo Mercosul – com a União Europeia (UE), o EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) e Cingapura – eleva a parcela do comércio exterior brasileiro beneficiada por tarifas zero ou alíquotas reduzidas de 12,4% para 31,2%. Os dados, referentes ao ano de 2025, foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e destacados pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin em entrevista à CNN Brasil, publicada em 12 de janeiro de 2026.

Evolução do acesso preferencial no comércio exterior

Atualmente, cerca de US$ 78 bilhões (12,4% do intercâmbio comercial total) contam com preferências tarifárias. Esse volume inclui o comércio intrabloco no Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) e acordos bilaterais ou multilaterais com Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Israel e Egito.

Com a vigência dos novos tratados, o valor sobe para US$ 118,7 bilhões (18,9%). Quando todos estiverem plenamente implementados, atinge US$ 196,4 bilhões, equivalente a 31,2% da corrente comercial brasileira registrada em 2025. Essa expansão representa um aumento de aproximadamente duas vezes e meia no comércio coberto por preferências em curto espaço de tempo.

Detalhes dos acordos e cronograma

O acordo Mercosul-UE, após 25 anos de negociações, tem assinatura prevista para 17 de janeiro de 2026 em Assunção, durante a presidência paraguaia rotativa do bloco. O tratado com o EFTA foi firmado em setembro de 2025. Já o acordo com Cingapura, assinado em dezembro de 2023, permanece em revisão jurídica e depende de ratificação pelo Congresso Nacional brasileiro.

Esses pactos facilitam a circulação de bens, reduzem barreiras tarifárias e não tarifárias, e abrem mercados estratégicos para exportações brasileiras, especialmente no setor agroindustrial, industrial e de serviços.

Declarações oficiais e impactos esperados

Geraldo Alckmin afirmou: “A ampliação do comércio coberto por preferências comerciais fortalece nossa inserção internacional e abre novas oportunidades para as empresas brasileiras. É um avanço muito expressivo, de aproximadamente duas vezes e meia, em um curto espaço de tempo, que reforça a competitividade da economia brasileira, estimula investimentos e gera mais e melhores empregos”.

O MDIC destaca que os acordos promovem maior integração global, diversificação de parceiros e redução da dependência de mercados específicos, em um contexto de tensões comerciais internacionais e protecionismo em algumas regiões.

Próximas negociações e contexto

Após esses avanços, o Mercosul mantém negociações com pelo menos oito países ou blocos, com destaque para os Emirados Árabes Unidos, onde um acordo pode ser fechado ainda em 2026. Outros alvos incluem Reino Unido (pós-Brexit), Canadá, Índia (ampliação do acordo existente) e outros mercados asiáticos e africanos.

O cenário reflete esforço do governo brasileiro para ampliar a agenda comercial externa, com foco em abertura de mercados para produtos de maior valor agregado e redução de barreiras, contribuindo para o crescimento econômico sustentável.

Leia mais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a adotar uma estratégia política baseada na mobilização popular para pressionar o Congresso Nacional,...

A Polícia Federal determinou que o deputado federal Eduardo Bolsonaro retorne ao cargo de escrivão da corporação, função para a qual foi...

Cerimônia no Planalto marca veto ao PL da Dosimetria O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou, nesta quinta-feira (8 de...