A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou qualquer possibilidade de ação militar contra o México durante uma conversa telefônica realizada em 11 de janeiro de 2026. A declaração foi feita pela mandatária mexicana em coletiva de imprensa no Palácio Nacional, em Cidade do México, no dia seguinte ao contato. Sheinbaum destacou que Trump expressou intenção de resolver questões bilaterais, especialmente relacionadas à migração e ao tráfico de drogas, por meio de diálogo e cooperação, sem recorrer a medidas unilaterais ou bélicas.
Contexto da ligação e temas discutidos
A conversa ocorreu em meio a tensões renovadas na fronteira EUA-México, após Trump retomar o discurso duro sobre imigração ilegal e o fluxo de fentanil durante a campanha e nos primeiros dias do segundo mandato. Trump já havia ameaçado tarifas de até 25% sobre produtos mexicanos e canadianos caso os vizinhos não controlassem a entrada irregular de migrantes e entorpecentes. Em postagens na Truth Social, o presidente americano repetiu que “o México tem que fazer mais” e chegou a mencionar “opções que ninguém quer considerar” em discursos recentes.
Sheinbaum confirmou que o tema central da ligação foi a migração e o combate ao narcotráfico. Segundo a presidente mexicana, Trump reconheceu os esforços do México na contenção de caravanas e no desmantelamento de cartéis, mas cobrou resultados mais rápidos. A mandatária enfatizou que ambos concordaram em fortalecer a cooperação bilateral, incluindo o reforço da Guarda Nacional mexicana na fronteira sul e o compartilhamento de inteligência sobre rotas de tráfico. Não houve menção a tarifas ou sanções na conversa, de acordo com o relato oficial.
Posição mexicana e histórico de ameaças
Sheinbaum reiterou que o México não aceitará ingerência em assuntos internos e que qualquer ação militar seria considerada uma violação grave à soberania. A declaração ecoa a postura adotada durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021), quando ameaças semelhantes – incluindo envio de tropas para combater cartéis – foram feitas, mas nunca executadas. Na ocasião, o então presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO) respondeu com negociações que resultaram no acordo “Fique no México” e no reforço da presença militar na fronteira.
Repercussão e declarações de Trump
A Casa Branca não emitiu comunicado oficial sobre o conteúdo da ligação até o momento da publicação, mas assessores confirmaram que a conversa foi “construtiva”. Trump, em declaração a repórteres no dia 12 de janeiro, limitou-se a dizer que “tudo está sendo resolvido” e que “o México está cooperando mais do que nunca”. A ausência de confirmação direta sobre a exclusão de opções militares gerou interpretações divergentes: para analistas próximos ao governo mexicano, a declaração de Sheinbaum reflete um compromisso verbal obtido; para críticos, pode ser uma estratégia de comunicação para acalmar mercados e investidores.
O México enfrenta pressão crescente com o fluxo migratório recorde em 2025 e o aumento das overdoses por fentanil nos EUA, atribuídas em grande parte a cartéis mexicanos. A conversa ocorre em momento de transição no governo mexicano, com Sheinbaum no poder há pouco mais de um mês, e de consolidação do segundo mandato de Trump.
Implicações para a relação bilateral
A exclusão explícita de ação militar alivia temores de escalada, mas não elimina o risco de medidas econômicas, como tarifas ou restrições comerciais. Especialistas em relações EUA-México destacam que o diálogo direto entre os líderes é positivo, mas o cumprimento de compromissos dependerá de resultados concretos na redução de fluxos migratórios e no combate ao tráfico de drogas nos próximos meses.