Taxas de entrega podem subir até 25% com novo projeto, alertam plataformas

taxas de entrega podem subir até 25 com novo projeto, alertam plataformas
taxas de entrega podem subir até 25 com novo projeto, alertam plataformas

Plataformas de delivery como iFood, Rappi e Uber Eats manifestaram forte crítica à proposta atual de regulamentação do trabalho por aplicativos, classificando o texto como “trágico” para o setor. De acordo com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as empresas, a aprovação da última versão do projeto poderia elevar o custo final dos pedidos de comida em até 25%. Um executivo do ramo, ouvido reservadamente pela CNN Brasil, descreveu as exigências como uma “celetização disfarçada”, argumentando que os custos tornariam mais vantajosa a contratação tradicional com carteira assinada do que o modelo atual de intermediação digital.

A proposta em discussão estabelece um piso mínimo de R$ 8,50 por entrega ou corrida, complementação compulsória previdenciária para casos em que os ganhos fiquem abaixo do salário mínimo, e regime de responsabilidade objetiva ampla e irrestrita das plataformas por atos ilícitos sofridos pelos usuários. As empresas contestam esses pontos, alegando que o piso representa tabelamento de preço privado, considerado inconstitucional, e impede o modelo de entregas agrupadas — que junta pedidos próximos para reduzir custos e aumentar eficiência tanto para consumidores quanto para entregadores.

A Amobitec destaca impactos negativos amplos: os mais pobres ficariam impossibilitados de arcar com o serviço devido ao encarecimento, enquanto o segmento, que contribui para elevar a taxa de ocupação em quase 1% segundo dados do Banco Central, poderia encolher, gerando desemprego entre os trabalhadores. As plataformas defendem que a regulamentação ignora a jornada parcial de muitos entregadores, que atuam poucas horas por mês e combinam a atividade com outras fontes de renda.

O debate ocorre no contexto de discussões no Congresso sobre o PLP 152/2025, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), com parecer do relator deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), protocolado em dezembro de 2025. O texto busca criar um marco regulatório para serviços de transporte e entrega via apps, mantendo a autonomia dos trabalhadores, mas impondo garantias como remuneração mínima, seguro obrigatório e contribuições previdenciárias compartilhadas. Estimativas do setor indicam que a combinação de piso mínimo e outras obrigações poderia dobrar o custo de algumas entregas em cenários mais extremos.

Especialistas apontam que o modelo atual de plataformas digitais revolucionou o acesso a serviços de entrega e transporte, especialmente em áreas urbanas, mas enfrenta críticas por precarização laboral. A regulamentação visa equilibrar direitos trabalhistas e sustentabilidade econômica, porém as empresas alertam para risco de redução na demanda e na renda total dos entregadores caso os preços subam significativamente.

O governo federal acompanha o tema desde 2023, com grupos de trabalho anteriores que avançaram em propostas para motoristas de aplicativos (PLP 12/24), mas deixaram o delivery em aberto. A prioridade no Planalto e no Legislativo indica que 2026 pode ser decisivo para a definição de regras que afetam milhões de usuários e trabalhadores no Brasil.

Principais críticas das plataformas ao projeto

Piso de R$ 8,50 por entrega visto como inconstitucional por interferir em precificação privada.

Complementação previdenciária compulsória desconsidera jornadas parciais.

Responsabilidade objetiva irrestrita amplia obrigações sem controle operacional.

Limitação a entregas agrupadas reduz eficiência e competitividade.

Contexto do PLP 152/2025 e próximos passos

O projeto, em tramitação na Câmara dos Deputados, consolida sugestões de audiências públicas e busca proteger trabalhadores sem extinguir a flexibilidade do modelo por apps. O relator sinalizou abertura a ajustes, inclusive na taxa mínima, durante debates em comissões especiais ou no plenário.

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