Toffoli critica PF e gera crise institucional no caso Banco Master

toffoli critica pf e gera crise institucional no caso banco master (1)
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli abriu forte crise com a Polícia Federal (PF) ao questionar a demora no cumprimento de mandados judiciais na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026. A operação investiga fraudes financeiras no Banco Master, de Daniel Vorcaro, com 42 mandados de busca e apreensão cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Toffoli autorizou a ação em 12 de janeiro, fixando prazo de 24 horas para execução, mas os mandados só foram realizados na manhã de quarta-feira (14), o que levou o ministro a atribuir eventuais prejuízos à investigação à “inércia exclusiva da PF” e à “falta de empenho”.

Críticas de Toffoli e recuo na guarda de provas

Despacho inicial e apreensões

Toffoli destacou em despacho que a demora causou “espécie” e apontou “fartos indícios” de continuidade de práticas criminosas, como gestão fraudulenta, desvio de recursos e lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento. Inicialmente, determinou que bens apreendidos — incluindo carros importados, relógios de luxo, R$ 97,3 mil em espécie e aparelhos eletrônicos — fossem lacrados e armazenados na sede do STF, medida que gerou preocupação entre investigadores por risco de perda de dados e impedimento de perícia imediata em dispositivos.

Recuo e transferência para a PGR

Após manifestações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), Toffoli recuou e decidiu que a PGR deve guardar e analisar os materiais apreendidos, como titular da ação penal. Ordenou ainda que a PF mantenha os aparelhos carregados e desconectados da internet. A Polícia Federal, por meio do diretor-geral Andrei Rodrigues, justificou o atraso pela complexidade da operação em múltiplos estados, necessidade de planejamento logístico e organização de equipes, negando intenção de descumprimento da ordem judicial.

Contexto do caso Banco Master e tensões institucionais

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, sob suspeitas de concessão irregular de créditos e inflação artificial de patrimônio. A investigação apura fraudes bilionárias, com bloqueio e sequestro de bens superiores a R$ 5,7 bilhões. Entre os alvos estão Daniel Vorcaro, familiares (pai Henrique, irmã e cunhado Fabiano Zettel), o investidor João Carlos Mansur (ex-presidente da Reag Investimentos) e o empresário Nelson Tanure. A visita do presidente do BC, Gabriel Galípolo, ao diretor-geral da PF Andrei Rodrigues no dia 14 de janeiro foi interpretada como sinal de apoio institucional à corporação em meio aos embates.

Impactos e discussões políticas

Os confrontos entre STF, PF, PGR, Banco Central e Tribunal de Contas da União (TCU) — que inspeciona o BC pela liquidação do Master — levantam preocupações sobre possíveis brechas procedimentais que possam anular o processo criminal. Parlamentares avaliam a criação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), mas o Centrão resiste, temendo repercussões políticas em ano eleitoral. O episódio expõe tensões no aparato de investigação do Sistema Financeiro Nacional e questiona a condução, prazos e preservação de provas em um dos maiores casos de fraude bancária em curso no país.

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