Paraguai convoca chefes de estado para assinatura de acordo Mercosul-UE e Lula fica de fora do ato

paraguai convoca chefes de estado para assinatura de acordo mercosul ue e lula fica de fora do ato (1)
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, atual detentor da presidência rotativa do Mercosul, convidou os chefes de Estado do bloco — incluindo Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Yamandú Orsi (Uruguai) e Javier Milei (Argentina) — para a assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia, marcada para 17 de janeiro de 2026, em Assunção. A convocação contrariou o entendimento prévio com a diplomacia brasileira, que previa representação apenas por chanceleres ou ministros da área econômica. Lula decidiu não comparecer ao evento paraguaio e enviará o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, como representante oficial do Brasil.

Frustração de Lula e encontro prévio no Rio

Assessores próximos ao presidente brasileiro reconhecem frustração pela impossibilidade de selar o acordo durante a presidência rotativa do Brasil no Mercosul, encerrada em dezembro de 2025. Ciente de que não participará da cerimônia final em Assunção, Lula convidou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa — que representarão a UE na assinatura — para um encontro no Rio de Janeiro em 16 de janeiro de 2026. Os líderes europeus aceitaram o convite, e a reunião ocorrerá um dia antes do ato paraguaio. O governo brasileiro enfatiza que a presidência brasileira foi crucial para avançar as negociações, que duram mais de 25 anos.

Posições dos demais membros do Mercosul

O presidente uruguaio Yamandú Orsi confirmou presença na assinatura em Assunção. Já Javier Milei, da Argentina, ainda avalia a viagem. A imprensa argentina tratou a ausência de Lula como mais um capítulo de distanciamento entre os presidentes brasileiro e argentino, que já trocaram críticas públicas, embora o entorno de Lula rechaçe qualquer mal-estar e afirme relações republicanas entre os líderes do bloco.

Contexto histórico e implicações do acordo

O acordo Mercosul-UE, aprovado por maioria qualificada dos Estados-membros europeus em janeiro de 2026, cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de consumidores. O tratado prevê eliminação ou redução gradual de tarifas para 92% das exportações do Mercosul ao mercado europeu, com impacto em setores como agronegócio (carne, soja, frango), indústria (veículos, máquinas) e bens agrícolas. Após a assinatura política em Assunção, o texto precisará ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos, incluindo o Congresso Nacional brasileiro, com expectativa de entrada em vigor ainda em 2026 ou nos anos seguintes. O pacto representa vitória do multilateralismo em cenário de pressões unilaterais, como as impostas pela administração Trump nos EUA.

O episódio destaca a dinâmica da presidência rotativa no Mercosul e tensões simbólicas entre os membros, em meio a um marco comercial histórico para a integração sul-americana com a Europa. A decisão paraguaia de convocar chefes de Estado reforça o protagonismo de Santiago Peña à frente do bloco, enquanto o Brasil prioriza diálogo direto com Bruxelas para consolidar expectativas bilaterais.

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