A Anistia Internacional denunciou que “assassinatos ilegais em massa” estão sendo cometidos em uma “escala sem precedentes” durante os protestos antigovernamentais no Irã. A declaração foi divulgada em relatório publicado em 15 de janeiro de 2026, baseado em vídeos verificados, depoimentos de testemunhas oculares e análises de imagens de dez cidades em seis províncias, incluindo Teerã. A organização destacou que a impunidade por crimes cometidos pelas forças de segurança em protestos atuais e passados encoraja as autoridades iranianas a persistirem em violações de direitos humanos. Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, afirmou que a gravidade e a escala dos assassinatos e da repressão desde 8 de janeiro são sem precedentes, mesmo considerando o histórico sombrio do país em violações de direitos humanos e crimes de direito internacional.
Detalhes da repressão documentada
A Anistia Internacional analisou dezenas de vídeos e fotografias que mostram forças de segurança atirando diretamente contra manifestantes desarmados e transeuntes com fuzis e espingardas. Os disparos ocorreram de telhados de prédios residenciais, delegacias de polícia e mesquitas. Em dois vídeos verificados, autoridades perseguem e atiram em civis que tentam fugir e não representam ameaça. A organização também documentou vídeos de necrotérios superlotados, incluindo uma instalação improvisada em Kahrizak, perto de Teerã. Os protestos, iniciados em 8 de janeiro, já resultaram em mais de 2.400 mortes, segundo um grupo de direitos humanos com sede nos Estados Unidos, número significativamente maior do que em manifestações anteriores.
Apelo internacional e contexto dos protestos
A Anistia Internacional apelou aos Estados-membros da ONU para recorrerem a mecanismos de justiça internacional a fim de impedir mais derramamento de sangue. A organização enfatizou que a impunidade contínua incentiva as autoridades a cometerem crimes. Os protestos antigovernamentais no Irã começaram em 8 de janeiro, motivados por questões econômicas, mas evoluíram para demandas políticas mais amplas contra o regime. A repressão inclui bloqueio da internet, o que dificulta a divulgação de informações e a verificação independente dos fatos.
Reações e implicações globais
A denúncia da Anistia Internacional reforça preocupações internacionais sobre a violação de direitos humanos no Irã. A organização pede ação urgente para responsabilizar os responsáveis e evitar mais mortes. O relatório destaca que a escala atual supera eventos passados, chamando atenção para a necessidade de intervenção global em mecanismos de justiça.