Acordo Mercosul–União Europeia: a “lição de casa” que o Brasil precisa fazer para aproveitar os benefícios

acordo mercosul–união europeia a “lição de casa” que o brasil precisa fazer para aproveitar os benefícios (1)
acordo mercosul–união europeia a “lição de casa” que o brasil precisa fazer para aproveitar os benefícios (1)

O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul entrou na fase final de validações após uma sinalização decisiva em Bruxelas, em 9 de janeiro de 2026, segundo análise publicada pela revista VEJA. A previsão citada é de assinatura em Assunção (Paraguai) no sábado, 17 de janeiro de 2026, com a participação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e de representantes do Mercosul.

De acordo com a reportagem, a redução de tarifas entre os blocos tende a ocorrer de forma gradual, o que daria tempo para que setores mais expostos à concorrência europeia se ajustem. A VEJA avalia que, para o Brasil colher ganhos de competitividade e expansão de negócios, o esforço não depende apenas de empresas: envolve também medidas do poder público para melhorar o ambiente econômico e reduzir custos estruturais.

Quais etapas ainda faltam para o acordo começar a valer

Após a assinatura prevista no Paraguai, o texto ainda deve passar pela ratificação do Parlamento Europeu, etapa que pode levar alguns meses, antes do início de uma redução provisória de barreiras comerciais, de acordo com a VEJA. A publicação também menciona que uma fase posterior, de aprovação por parlamentos nacionais dos países envolvidos, pode levar três anos ou mais, enquanto medidas do tratado começam a produzir efeitos práticos na integração dos mercados.

Impactos econômicos projetados e setores mais expostos

A VEJA cita estimativas do Ipea indicando que os efeitos econômicos podem crescer ao longo do tempo, conforme tarifas e regras comuns avancem. A projeção mencionada fala em acréscimo de 0,08% no PIB no ano seguinte, 0,11% em 2028 e evolução gradual até atingir 0,46% em 2040. No campo de investimentos, a publicação menciona potencial incremento de 1,49% em 2040.

A reportagem aponta que alguns segmentos devem se beneficiar mais do que outros. Entre os setores considerados mais vulneráveis à concorrência europeia, são citados fabricantes de equipamentos elétricos e medicamentos, por enfrentarem competidores fortes na UE. Já no agronegócio, a análise aponta vantagens comparativas mais evidentes, ainda que a UE preveja cotas e salvaguardas para limitar volumes e evitar distorções de preços.

Exigências europeias e a adaptação das empresas

Segundo a VEJA, a entrada no mercado europeu tende a exigir padrões rigorosos de qualidade, com certificações e comprovações sanitárias e ambientais, o que pode elevar custos. A reportagem cita o consultor Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, ao observar que quem quiser vender para a Europa precisará atender a esse nível de exigência. O texto também registra que parte do debate na Europa envolve questionamentos ambientais e pressão de setores agrícolas, com protestos em países como a França.

“Lição de casa”: reformas e gargalos citados na análise

A VEJA destaca a reforma tributária como exemplo de medida necessária para aumentar competitividade em um cenário de maior abertura comercial. A publicação também lista entraves como juros elevados, volatilidade econômica e insegurança jurídica como fatores que ainda pressionam custos e dificultam investimentos e expansão internacional.

Leia mais

A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos foi celebrada por lideranças da direita brasileira, que classificaram...

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu entrevista exclusiva em que reafirmou a necessidade de o tribunal adotar...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a mediar a crise entre o Banco...