No mesmo dia em que tomou posse no Ministério da Justiça e da Segurança Pública, o ministro Wellington César Lima e Silva se envolveu em uma divergência pública de versões sobre uma reunião com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após o encontro, o ministro afirmou a jornalistas que o caso Banco Master teria sido o “eixo” da conversa. Em seguida, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) negou que o tema tenha sido tratado como assunto central, e o próprio ministro passou a minimizar a ideia de que a discussão teria girado em torno do banco.
A reunião ocorreu um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abrir procedimento para apurar se houve vazamento de dados sigilosos envolvendo ministros da Corte e familiares. Segundo a reportagem, a apuração busca esclarecer se houve acesso irregular a informações fiscais e bancárias, além de identificar quem fez as consultas, quando e com quais justificativas formais, em menções à atuação de órgãos como Receita Federal e Coaf.
Ministro recua e diz que foco foi combate ao crime organizado
Após a nota da Secom, Lima e Silva afirmou que o “eixo” ao qual se referia dizia respeito ao combate ao crime organizado e que o Banco Master “provavelmente” pode ter sido citado por algum participante “em algum momento”, sem ter recebido tratamento específico. Ele também mencionou que, no debate, foram citados exemplos de frentes associadas ao tema, como bets, fintechs, indústria de bebidas e adulteração de combustíveis, reforçando que o ponto comum da reunião foi discutir medidas estruturantes para aumentar a efetividade das ações do Estado.
Quem participou da reunião e quais temas apareceram na discussão
Além de Lula, Moraes e do novo ministro da Justiça, participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Secom Sidônio Palmeira, o procurador-geral da República Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda Dario Durigan, o secretário especial da Receita Federal Robinson Barreirinhas e o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, segundo a mesma apuração. A reportagem registra que houve preocupação relevante com o tema das bets, diante de avaliações sobre riscos de vício em jogos e necessidade de reforçar fiscalização.
Contexto: apuração sobre dados sigilosos e citações ao Banco Master
O texto também relembra que, em dezembro, foi citado um contrato do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci, apontada como esposa de Moraes, com previsão de pagamento mensal e atuação “estratégica, consultiva e contenciosa” em diferentes frentes institucionais.
Perguntas e respostas
O que gerou a divergência?
A fala do ministro de que o caso Banco Master foi o “eixo” da reunião, seguida de negativa da Secom e recuo do próprio ministro.
Qual foi a justificativa apresentada depois?
Que o foco do encontro era a articulação de órgãos do Estado no combate ao crime organizado, com menções a exemplos como bets e fintechs.