A inteligência dos Estados Unidos emitiu relatório confidencial que levanta dúvidas sobre o grau de cooperação real da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com as autoridades americanas. O documento, obtido por veículos de imprensa em 27 de janeiro de 2026, aponta que Rodríguez tem demonstrado relutância em avançar em compromissos firmados durante contatos iniciais com a administração Trump, especialmente em temas sensíveis como migração, petróleo, devolução de ativos bloqueados e cooperação contra grupos criminosos transnacionais.
O relatório destaca que, apesar de declarações públicas de abertura ao diálogo e da confirmação de visita iminente de Rodríguez a Washington, ações concretas no terreno permanecem limitadas. Fontes da inteligência americana citam atrasos na entrega de informações sobre redes de tráfico humano e narcotráfico, hesitação na liberação de prisioneiros políticos americanos detidos em Caracas e resistência a negociações sobre o controle de campos petrolíferos que envolvem empresas dos EUA. O documento classifica a postura como “cooperativismo tático”, sugerindo que Rodríguez busca ganhar tempo e legitimidade internacional sem ceder em pontos estratégicos para o chavismo.
Contexto da transição venezuelana e pressões da administração Trump
A análise ocorre em momento delicado da transição política na Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro e a assunção interina de Delcy Rodríguez. A administração Trump tem condicionado o alívio gradual de sanções à cooperação plena em temas de segurança, migração e governança democrática. Trump já ameaçou publicamente que Rodríguez “pagará um preço muito alto” caso não cumpra os acordos, após reunião com a opositora María Corina Machado.
O relatório reforça a percepção de que o novo governo venezuelano enfrenta pressões internas do chavismo histórico, que resiste a concessões amplas, e externas de Washington, que exige resultados rápidos. A inteligência americana observa que Rodríguez tem priorizado a manutenção da unidade do aparato estatal e a busca de apoio de países do Sul Global, o que explicaria a lentidão em algumas frentes de negociação.
Possíveis impactos na agenda bilateral e na estabilidade regional
A dúvida sobre a cooperação pode atrasar o cronograma de negociações bilaterais e afetar o fluxo de recursos para a reconstrução econômica venezuelana. O relatório menciona que a falta de avanços concretos em migração e narcotráfico pode levar a novas rodadas de sanções ou ao endurecimento da posição americana em fóruns internacionais. A situação também tem reflexos na região, com preocupação de países vizinhos sobre o risco de instabilidade caso a transição não avance de forma coordenada.
O governo venezuelano não se pronunciou oficialmente sobre o relatório, mas fontes próximas a Rodríguez afirmam que o diálogo com Washington segue em curso e que avanços serão anunciados no momento oportuno. A visita da líder interina aos EUA, prevista para os próximos dias, é vista como teste decisivo para medir o real compromisso de Caracas com os acordos preliminares.