Enquanto o povo venezuelano comemora pelo mundo o fim de um ciclo que destruiu a economia, expulsou milhões de cidadãos e corroeu as instituições, parte da esquerda reage com desconforto. Em vez de reconhecer o desastre produzido pelo chavismo e por Maduro, prefere lamentar a queda de um regime que se sustentou no autoritarismo. O contraste é duro. De um lado, gente simples celebrando a chance de recomeçar. Do outro, políticos e intelectuais tentando salvar um projeto que já mostrou, repetidas vezes, que não funciona.
No Brasil, a contrariedade do PT com a prisão de Maduro expõe algo mais profundo. A esquerda, quando se depara com regimes “amigos”, fecha os olhos para abusos, perseguições e censura. Defende governos, não pessoas. Sempre há uma justificativa, um discurso, um inimigo externo para culpar. E, enquanto isso, o povo sofre. Foi assim em Cuba, foi assim na Nicarágua, foi assim na Venezuela. A promessa era de justiça social. O resultado foi concentração de poder, miséria e fuga em massa.
O mais preocupante é a insistência. Mesmo diante de um projeto fracassado, a esquerda continua fiel a esses modelos. É tudo para o partido, para a narrativa, para o líder. E quase nada para a população que enfrenta filas, escassez, inflação e medo. Quando a repressão aumenta, dizem que é “necessário”. Quando a economia quebra, dizem que é “culpa de fora”. A realidade, no entanto, é visível. Autoritarismo e centralização extrema levam ao mesmo destino.
As imagens de venezuelanos comemorando deveriam servir como alerta. A defesa automática de ditaduras não é sinal de compromisso com justiça social, mas de apego ao poder. A história recente mostra que regimes que se dizem populares acabam se voltando contra o próprio povo. E, quando finalmente caem, revelam uma verdade que muitos preferem ignorar. Democracia não é sobre proteger governantes. É sobre proteger cidadãos — algo que, por ideologia, a esquerda insiste em esquecer.
Diretamente dos EUA
Coluna de @graziellecoppola