Reajuste baseado no INPC acumulado de 2025 é inferior ao IPCA
Perda real de poder de compra para milhões de beneficiários
Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem valores acima de um salário mínimo terão reajuste de 3,90% em 2026, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 2025, divulgado pelo IBGE em 9 de janeiro de 2026. O percentual é inferior à inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano em 4,26%. Com isso, os beneficiários enfrentam perda real de poder de compra, pois o aumento não compensa integralmente a alta dos preços no período.
O teto dos benefícios previdenciários sobe de R$ 8.157,41 (valor de 2025) para R$ 8.475,54 (ou R$ 8.475,55 em algumas projeções, dependendo de arredondamentos finais). O reajuste aplica-se integralmente a quem já recebia acima do mínimo em 1º de fevereiro de 2025. Para concessões realizadas após essa data, a correção é proporcional ao tempo de recebimento no ano. O valor final será confirmado por portaria do Ministério da Previdência Social, publicada no Diário Oficial da União.
Contraste com o reajuste do salário mínimo e calendário de pagamentos
Benefícios atrelados ao piso nacional ganham mais
Enquanto os benefícios acima do mínimo seguem o INPC (3,90%), o salário mínimo nacional foi fixado em R$ 1.621 para 2026, com reajuste de 6,79% (R$ 103 a mais em relação a R$ 1.518 de 2025). Esse aumento maior decorre da política de valorização do mínimo, que considera o INPC acumulado até novembro do ano anterior mais ganho real limitado pelo arcabouço fiscal (baseado no PIB de 2024). Aposentadorias, pensões por morte, auxílio-doença e Benefício de Prestação Continuada (BPC) de um salário mínimo acompanham esse piso.
Os pagamentos com os novos valores começam em 26 de janeiro de 2026 para quem recebe até o mínimo (competência de janeiro), estendendo-se até 6 de fevereiro. Para beneficiários acima do piso, os créditos com reajuste iniciam em 2 de fevereiro e vão até 7 de fevereiro, conforme o calendário tradicional do INSS, que considera o último dígito do benefício.
Contexto do reajuste e impacto para os segurados
Menor correção desde 2023 e milhões afetados
O reajuste de 3,90% é o mais baixo desde 2023 (quando o INPC foi de 3,71%), comparado a 4,77% em 2024. Segundo dados do INSS, cerca de 13,25 milhões de beneficiários recebem acima do salário mínimo, enquanto aproximadamente 21,9 milhões (cerca de 62,5% do total) recebem o piso nacional. O INPC mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, servindo como referência legal para a correção dos benefícios previdenciários acima do mínimo.
O Ministério da Previdência deve divulgar em breve o extrato com os novos valores via Meu INSS (site e aplicativo). A diferença entre INPC e IPCA reflete a composição dos índices: o IPCA é mais amplo e considerado a inflação oficial do país.