O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, expressou fortes críticas às instituições de ensino superior após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina (Enamed), que reprovou 107 cursos de medicina em todo o Brasil. Os dados, revelados pelo Ministério da Educação na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, indicam que, de um total de 351 cursos avaliados, 107 obtiveram notas 1 e 2, sujeitos a sanções. Outros 243 cursos receberam avaliações regulares ou boas, com notas variando de 3 a 5, enquanto um curso não pontuou e ficou sem conceito. O Enamed, aplicado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), serve para medir a qualidade da formação médica no país.
Declarações do governador sobre qualidade educacional
Em postagens nas redes sociais nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, Caiado descreveu algumas faculdades como “bets travestidas de faculdades”, comparando-as a jogos de azar onde o risco é assumido pela população. Ele afirmou que o resultado do Enamed expõe um “estelionato educacional”, destacando falhas graves na formação de profissionais da saúde. De acordo com o governador, que também é médico, a baixa qualidade dos cursos não impacta apenas os estudantes, mas compromete diretamente a segurança dos pacientes atendidos por médicos mal preparados.
Impactos na saúde pública e formação médica
Caiado enfatizou que “a formação médica virou um jogo de azar, e quem perde é o paciente”, argumentando que instituições sem estrutura adequada colocam em risco a assistência em saúde. Ele defendeu a adoção de critérios mais rigorosos para a abertura e manutenção de cursos de medicina, sugerindo que faculdades sem qualidade comprovada não deveriam operar. Os resultados do Enamed revelam problemas estruturais no ensino superior brasileiro, com sanções potenciais para os cursos reprovados, incluindo restrições a novas vagas ou fechamento temporário.
Medidas adotadas em Goiás durante gestão de Caiado
Durante seus sete anos à frente do governo de Goiás, Caiado relatou que não autorizou a criação de nenhuma nova faculdade de medicina no estado, apesar de pressões políticas e econômicas. Essa decisão, segundo ele, visa preservar a qualidade da formação e evitar a proliferação de cursos inadequados. O governador utilizou sua experiência como médico e gestor público para reforçar a necessidade de rigor na educação médica, priorizando a proteção à saúde pública sobre interesses econômicos.
Repercussão dos resultados do Enamed
A divulgação dos dados pelo Ministério da Educação gerou debates sobre a regulação do ensino superior no Brasil. Com 107 cursos reprovados, o exame destaca a urgência de reformas para elevar os padrões educacionais. Instituições afetadas enfrentarão avaliações adicionais pelo MEC, com possibilidade de intervenções para corrigir deficiências. Caiado’s postagens, incluindo uma publicação no X (antigo Twitter) com a frase “São bets travestidas de faculdades”, ganharam atenção, ampliando o discussão sobre a qualidade da formação médica nacional.
Contexto do exame e avaliação nacional
O Enamed é uma ferramenta essencial para o MEC monitorar o desempenho dos cursos de medicina, aplicado por meio do Inep. A prova anual avalia competências dos estudantes, influenciando a classificação das instituições. Cursos com notas baixas, como os 107 identificados, estão sujeitos a processos administrativos que podem limitar expansões ou exigir melhorias imediatas. Essa edição de 2026 reforça a importância de investimentos em infraestrutura e corpo docente qualificado para atender às demandas da saúde pública.
Perspectivas para o setor educacional
Especialistas indicam que os resultados do Enamed podem impulsionar mudanças regulatórias, com maior fiscalização sobre faculdades privadas e públicas. A crítica de Caiado reflete preocupações gerais com a expansão descontrolada de vagas em medicina, priorizando quantidade sobre qualidade. Com o debate em alta, espera-se ações do MEC para fortalecer o sistema de avaliação, garantindo que futuros médicos estejam adequadamente preparados para atender a população brasileira.