O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou oficialmente sua saída do União Brasil e filiação ao PSD, partido presidido por Gilberto Kassab. A decisão foi comunicada em 27 de janeiro de 2026, durante coletiva em Goiânia, e encerra meses de tensão interna na legenda original. Caiado havia dado ultimato ao diretório nacional do União Brasil exigindo maior autonomia para governadores e protagonismo conservador, mas as negociações não avançaram, levando ao rompimento definitivo.
A filiação ao PSD ocorre em momento estratégico para o governador, que mantém pré-candidatura declarada à Presidência da República desde 2024. O PSD oferece estrutura nacional consolidada, com presença em 27 estados, governadores, senadores e deputados federais, além de forte capilaridade municipal. Kassab confirmou a recepção imediata de Caiado e destacou que a chegada do governador fortalece o partido como opção viável para o campo conservador em 2026.
Motivos do rompimento com União Brasil e busca por nova legenda
Caiado justificou a saída pela “falta de unidade e centralização excessiva” no União Brasil, comandado por Luciano Bivar. Ele criticou a ausência de espaço para governadores na definição de estratégias nacionais e regionais, além de divergências sobre alianças e palanques estaduais. O governador argumentou que a legenda não oferecia condições mínimas para sustentar uma candidatura competitiva ao Planalto, especialmente em cenário de polarização entre direita e centro-direita.
A migração para o PSD foi negociada ao longo das últimas semanas, com conversas diretas entre Caiado e Kassab. O partido já contava com outros nomes de peso do conservadorismo moderado e agora ganha reforço com a experiência administrativa e o discurso de segurança pública do governador goiano. A filiação também abre caminho para articulações com setores evangélicos, empresariais e agronegócio, bases tradicionais de apoio a Caiado.
Impactos no tabuleiro da direita e no União Brasil
A saída de Caiado pode desencadear efeito cascata no União Brasil, com outros governadores e parlamentares avaliando migrações. A legenda, que resultou da fusão entre DEM e PSL, enfrenta desafios de coesão desde sua criação e perde um de seus principais quadros executivos. No PSD, a chegada do governador reforça a posição da sigla como alternativa ao PL de Valdemar Costa Neto e ao Republicanos de Marcos Pereira na disputa pelo espaço conservador em 2026.
Caiado segue com agenda de viagens pelo país para ampliar base de apoio, destacando gestão fiscal responsável, redução da criminalidade em Goiás e posicionamento como opção de renovação na direita. A mudança de partido oficializa a estratégia de buscar estrutura partidária mais alinhada aos seus objetivos presidenciais.
Cenário pré-eleitoral ganha novo capítulo na direita brasileira
A filiação ao PSD altera o tabuleiro da direita para 2026, com o governador goiano consolidando caminho próprio em meio a nomes como Tarcísio de Freitas e possíveis indicações de Jair Bolsonaro. O PSD, que já abriga figuras como Kassab e governadores de estados importantes, ganha força para negociar alianças nacionais e regionais. A decisão de Caiado sinaliza a fragmentação contínua do campo conservador e a busca por legendas que permitam maior autonomia em ano de eleições gerais.