Cilia Flores não é apenas a esposa de Nicolás Maduro. Durante anos, foi um dos pilares do chavismo e uma das figuras mais influentes do regime que desmontou as instituições venezuelanas. Sua prisão ao lado do marido não é um gesto simbólico. Ela responde por acusações graves de conspiração, narcotráfico, narcoterrorismo e lavagem de dinheiro, acusações que refletem como o poder político e o crime organizado passaram a caminhar juntos na cúpula do regime.
Advogada e deputada, Cilia ascendeu rapidamente após a chegada de Hugo Chávez. Tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional e ganhou o apelido de “primeira combatente”. Depois da morte de Chávez e da subida de Maduro ao poder, seu papel se ampliou. Atuava como conselheira informal, mas com autoridade superior à de ministros. Nada relevante chegava ao presidente sem passar por ela. Quem desafiava Cilia corria o risco de perder cargos, ser isolado politicamente ou entrar no radar das investigações do próprio regime.
Sua influência ajudou a sustentar a engrenagem autoritária. Instituições foram cooptadas, dissidências silenciadas, decisões militares e judiciais passaram a responder a um núcleo restrito de poder. Não por acaso, dois de seus sobrinhos foram condenados nos Estados Unidos por tráfico de drogas, caso que expôs como o entorno familiar transitava entre a política e o crime. Cilia foi citada em processos, alvo de sanções e congelamento de bens, mas seguiu blindada enquanto o regime se mantinha.
Quando os Estados Unidos decidiram levar o caso à Justiça, ficou claro que a cobrança não seria seletiva. A prisão dela sinaliza que lideranças que sustentam ditaduras também respondem por seus atos. É uma mensagem firme, alinhada à visão de que estabilidade continental exige responsabilização. Para quem ainda perguntava por que Cilia Flores está presa, a resposta está em sua trajetória: não foi coadjuvante. Foi peça central de um projeto de poder que empurrou a Venezuela para o colapso. Agora, diante da lei, responde por isso.
Diretamente dos EUA
Coluna de @graziellecoppola