O caso do Banco Master vai muito além da crise de uma instituição financeira.
Ele expõe, de forma clara, como o poder opera no Brasil quando mercado, Estado e grandes interesses institucionais se encontram.
André Esteves, arquiteto do BTG Pactual e um dos nomes mais influentes do sistema financeiro, não surgiu como salvador.
Sua atuação foi silenciosa e institucional. Comprou ativos para mitigar riscos sistêmicos, dialogou com o Banco Central e, diante de maior escrutínio sobre o modelo do Master, passou a defender a solução mais dura: a liquidação.
A trajetória de Esteves também carrega a marca da Lava Jato. Em 2015, foi preso por ordem do STF, acusado de obstrução de Justiça, em um episódio que abalou o mercado e o próprio BTG.
Após um período de afastamento, retornou gradualmente ao centro das decisões do sistema financeiro.
O Banco Master expandiu suas operações com maior exposição a riscos, captação amparada pelo FGC, modelo que passou a ser testado em um ambiente regulatório mais rigoroso.
Nesse cenário, o papel de Esteves não foi impor decisões, mas contribuir para a condução do desfecho institucional.
O poder aqui não é ruidoso nem explícito. Ele se exerce pela presença constante nos centros de decisão e pela capacidade de influenciar, de forma discreta, os caminhos que essas decisões tomam e afetam milhões de pessoas.