Delcy Rodríguez anuncia ‘nova era política’ na Venezuela após captura de Maduro

delcy rodríguez anuncia 'nova era política' na venezuela após captura de maduro (1)
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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026) que o país entra em uma “nova era política” marcada pelo entendimento apesar das diferenças ideológicas e políticas. Em pronunciamento no Palácio de Miraflores, em Caracas, Rodríguez afirmou que “a Venezuela se abre a um novo momento político que permite o entendimento desde a divergência e desde a diversidade política ideológica”. A declaração ocorreu em sua primeira entrevista coletiva desde que assumiu o cargo em 5 de janeiro de 2026, dois dias após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores por operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro.

Libertação de presos e processo de transição

Rodríguez destacou a continuidade de um processo de libertações iniciado ainda em dezembro de 2025 pelo governo Maduro, com o objetivo de criar espaços de compreensão, convivência e tolerância. Segundo ela, 406 pessoas foram soltas até o momento, coordenadas com o sistema judiciário e lideradas pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello. O processo permanece aberto e envolve revisão de casos relacionados a crimes contra a ordem constitucional e incitação ao ódio. Organizações de direitos humanos, como o Foro Penal, estimam cerca de 1.000 detenções políticas decorrentes de protestos após as eleições de 2024, com críticas à lentidão e à falta de transparência nas liberações. Rodríguez criticou ONGs que, segundo ela, “pretendem vender falsidades” sobre a situação no país.

Diálogo com Trump e agenda bilateral

A presidente interina revelou ter mantido uma “longa e cordial conversa telefônica” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em contexto de respeito mútuo. Os temas abordados incluíram petróleo, minerais, comércio e segurança, com Rodríguez descrevendo uma agenda de trabalho bilateral em benefício dos povos. Trump qualificou o diálogo como “ótimo” e “produtivo”, prevendo uma parceria “espetacular”. Rodríguez negou interferência externa, afirmando: “Não há agentes externos que governem a Venezuela”. A declaração contrasta com ameaças anteriores de Trump de novos ataques em caso de não cooperação e planos de exploração de recursos venezuelanos, como a compra de até 50 milhões de barris de petróleo.

Contexto da intervenção americana e posse interina

A captura de Maduro ocorreu em 3 de janeiro de 2026 durante operação militar americana, com Maduro transferido para Nova York para responder a acusações judiciais. O Tribunal Supremo de Justiça, alinhado ao chavismo, determinou que Rodríguez assumisse como interina por até 90 dias prorrogáveis, garantindo continuidade administrativa e defesa nacional. Rodríguez, vice-presidente desde 2018 e figura central do chavismo, tem histórico de gestão na indústria petrolífera e relações internacionais. A posse foi reconhecida pelas Forças Armadas, mas contestada por entidades como a União Europeia, que não reconhece sua legitimidade como chefe de governo.

Implicações políticas e regionais

O pronunciamento sinaliza tentativa de estabilização sob supervisão chavista, com abertura ao diálogo apesar da influência americana. Analistas observam que Rodríguez caminha em equilíbrio entre pressões de Washington, que prioriza controle de recursos energéticos, e bases internas do PSUV. Não há cronograma definido para novas eleições, e o foco permanece em libertações e cooperação bilateral. O episódio reforça tensões na América Latina, com impactos em migração, comércio e alianças regionais, em meio a críticas internacionais à legitimidade da transição.

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