Demanda explode: Brasil importa mais caneta emagrecedora que celular em 2025

demanda explode brasil importa mais caneta emagrecedora que celular em 2025
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As importações de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, atingiram US$ 1,669 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões) em 2025, superando o volume financeiro de itens tradicionais como telefones celulares, salmão e azeite de oliva. O dado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e analisado pelo economista Fernando Nakagawa em coluna na CNN Brasil publicada em 12 de janeiro de 2026, reflete o boom da demanda por princípios ativos como semaglutida (Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk) e tirzepatida (Mounjaro, da Eli Lilly).

Crescimento recorde e origens das importações

O valor importado em 2025 registrou aumento de 88% em comparação com 2024. A Dinamarca, sede da Novo Nordisk, respondeu por 44% do total (US$ 734,7 milhões), com crescimento de 7% no período. Já os Estados Unidos, base da Eli Lilly, representaram 35,6% (US$ 593,7 milhões), com salto expressivo de 992%. Esse desempenho indica que o Mounjaro impulsionou a maior parte da expansão recente, alterando a geopolítica das importações desses medicamentos.

Sem produção nacional registrada para essas moléculas, todo o volume entra via importação, impactando diretamente a balança comercial brasileira. O fenômeno ocorre em meio à popularização desses tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2, com uso off-label para controle de peso ganhando força entre celebridades, influenciadores e público geral.

Comparação com importações tradicionais

O montante de US$ 1,669 bilhão superou as importações de produtos consolidados no comércio exterior brasileiro. Telefones celulares, historicamente um dos principais itens de consumo importado, foram ultrapassados em valor, assim como salmão (principalmente da Noruega e Chile) e azeite de oliva. O dado evidencia como o setor farmacêutico de alta tecnologia passou a competir com bens de consumo tradicionais em termos de volume financeiro.

Projeções de mercado e quebra de patente

Relatório do Itaú BBA projeta expansão acelerada: o mercado brasileiro de canetas emagrecedoras, estimado em US$ 1,8 bilhão em 2025, pode alcançar US$ 9 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões) até 2030. A expectativa considera o fim da patente da semaglutida em 2026, o que permitirá a entrada de versões genéricas ou biossimilares, reduzindo preços em até 30% no primeiro ano e 50% em cinco anos. Outras análises, como da XP e UBS BB, apontam valores entre R$ 9-11 bilhões em 2025 e potencial duplicação ou quintuplicação com genéricos.

A chegada de versões nacionais ou licenciadas, como as da EMS (Olire e Lirux, à base de liraglutida), já começou em 2025, com planos para semaglutida em 2026. A Anvisa mantém regras rígidas para importação e manipulação de insumos como semaglutida e tirzepatida, proibindo versões irregulares e direcionando fiscalização para garantir qualidade e rastreabilidade.

Implicações econômicas e de saúde

O fenômeno afeta a balança comercial com saída expressiva de divisas e impulsiona o varejo farmacêutico, com redes como RaiaDrogasil registrando ganhos. Do ponto de vista de saúde pública, o aumento do acesso via genéricos pode ampliar o tratamento de obesidade e diabetes, mas especialistas alertam para riscos de uso indiscriminado e necessidade de prescrição médica. O MDIC monitora o fluxo para avaliar impactos no comércio exterior.

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