Ditadora interina da Venezuela declara estar “farta” de ordens dos EUA em meio a transição pós-Maduro

ditadora interina da venezuela declara estar “farta” de ordens dos eua em meio a transição pós maduro (1)
ditadora interina da venezuela declara estar “farta” de ordens dos eua em meio a transição pós maduro (1)

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou publicamente estar “farta” de receber ordens dos Estados Unidos, em um discurso realizado no domingo (25 de janeiro de 2026), na refinaria de Puerto La Cruz, no estado de Anzoátegui. A manifestação ocorre em contexto de transição política no país, após a queda e captura de Nicolás Maduro, com Rodríguez assumindo o cargo interinamente enquanto enfrenta pressões internas do chavismo e externas da administração Donald Trump.

No pronunciamento direcionado a trabalhadores da refinaria, Rodríguez adotou tom firme ao afirmar “Basta de ordens de Washington”, criticando o que descreve como interferências contínuas dos EUA. Ela destacou que “a República pagou um preço muito alto por ter que enfrentar as consequências do fascismo e do extremismo”, reforçando a defesa da integridade territorial e da soberania nacional. A declaração alinha-se à narrativa tradicional chavista sobre sanções econômicas e pressões externas, mas surge em momento delicado de negociação com Washington.

Contexto de transição: queda de Maduro e pressões da administração Trump

A assunção de Delcy Rodríguez como líder interina segue a captura de Nicolás Maduro, evento que gerou vácuo de poder e realinhamentos no aparato estatal venezuelano. Fontes indicam que o regime enfrenta demandas americanas para cooperação em temas como migração, petróleo e estabilidade regional. Um funcionário da Casa Branca confirmou que Rodríguez deve realizar visita em breve a Washington, sinalizando canal de diálogo aberto, mas sob tensão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com a opositora María Corina Machado e, em entrevista à revista The Atlantic, ameaçou que Rodríguez pagará um “preço muito alto” caso não coopere plenamente. A exclusão temporária de Machado da transição por falta de apoio amplo reforça o foco americano em uma solução negociada que evite caos institucional.

Equilíbrio delicado entre chavismo interno e exigências externas

Rodríguez busca equilibrar as expectativas de aliados chavistas, que resistem a concessões amplas, com as demandas de Washington para avanços concretos. O discurso na refinaria representa tentativa de manter apoio popular e partidário ao rejeitar interferências, enquanto a agenda de viagem aos EUA sugere disposição para negociações. Analistas observam que a posição reflete a dificuldade de transição em contexto de sanções persistentes e polarização interna.

Repercussões políticas e econômicas no cenário venezuelano

A declaração ganha destaque em meio à crise econômica agravada por sanções internacionais e à necessidade de recuperação da indústria petrolífera, simbolizada pela visita à refinaria. O posicionamento de Rodríguez pode influenciar o ritmo das negociações bilaterais e a percepção de estabilidade no país, com impactos potenciais na migração regional e no mercado de energia.

O episódio ilustra os desafios da liderança interina venezuelana em navegar entre soberania nacional e pressões geopolíticas em um período de redefinição do poder.

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