Empresa ligada ao “Careca do INSS” pagou R$ 700 mil a ministra do STM

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Uma empresa associada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, repassou R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra Verônica Abdalla Sterman, do Superior Tribunal Militar (STM). O pagamento consta em Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O repasse ocorreu em parcela única entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período anterior à nomeação e posse da magistrada no STM, indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em setembro de 2025.

Detalhes do pagamento e da empresa ACX ITC

O valor foi transferido pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, firma aberta em dezembro de 2021 com capital social de R$ 101,2 milhões e sediada em São Caetano do Sul (SP). A empresa movimentou mais de R$ 266,6 milhões em sua conta no Banco do Brasil no período analisado pelo Coaf. Segundo a Polícia Federal, a ACX ITC funcionava como uma das empresas utilizadas pelo “Careca do INSS” para fragmentar fluxos financeiros, dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar beneficiários finais. A ACX ITC recebeu ao menos R$ 4,4 milhões da Arpar Participações e Empreendimentos, considerada empresa de passagem controlada por Antunes.

A ACX ITC tem presença digital limitada: site fora do ar e página no Instagram inativa desde abril de 2023. A empresa está ligada ao RCX Group, investigado na CPI das Pirâmides Financeiras em 2023, com relatos de investidores sobre promessas de dividendos não cumpridas e supostas fraudes.

Posição da ministra Verônica Sterman

Verônica Abdalla Sterman, advogada paulista de 41 anos, afirmou em nota que desconhece qualquer relação da ACX ITC com o “Careca do INSS” ou com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes. Segundo a ministra, o pagamento refere-se à elaboração e entrega de três pareceres jurídicos sobre temas criminais relacionados às atividades da empresa, prestados quando ainda atuava na advocacia. A relação profissional encerrou-se após a entrega dos pareceres. Não há registros públicos de processos judiciais em que Sterman tenha atuado em favor da ACX ITC ou de empresas do grupo.

Antes da nomeação ao STM, Verônica Sterman teve como clientes figuras como a ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT), seu marido Paulo Bernardo (ex-ministro) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que apoiaram sua indicação ao cargo e anteriormente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Contexto do caso “Careca do INSS”

Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado como peça central em esquema de fraudes no INSS, envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões por meio de entidades associativas. A Polícia Federal e a CPMI do INSS investigam movimentações bilionárias, com quebras de sigilo fiscal e bancário. A ACX ITC aparece em relatórios do Coaf como receptora de recursos da Arpar, usada para dispersar valores. A mesma empresa pagou R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro após sua saída da corte, em serviços advocatícios declarados.

O caso ganhou repercussão na CPMI do INSS, que analisa indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A PF considera Antunes epicentro de operações que desviaram recursos de beneficiários do INSS, com ramificações em outros setores.

Implicações e investigações em curso

O pagamento à ministra do STM, embora anterior à posse, levanta questionamentos sobre origens de recursos em investigações financeiras. A CPMI do INSS continua recebendo relatórios do Coaf e pode aprofundar apurações sobre as empresas envolvidas. O episódio ocorre em meio a debates sobre transparência em nomeações judiciais e conexões entre advocacia e investigações criminais.

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