Marcos de Brito Campos Júnior, ex-diretor de Administração e Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), assinou contratos de alto valor com pelo menos três empresas que posteriormente se tornaram alvo de investigações ou sanções administrativas. A informação foi revelada em reportagem publicada em 13 de janeiro de 2026 pela Folha do Estado, com base em dados de licitações e processos judiciais. Campos Júnior pediu exoneração do cargo em 9 de janeiro de 2026, após se tornar alvo da Polícia Federal (PF) no âmbito da operação que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conhecida como “Farra do INSS” ou “Operação Sem Desconto”.
Os contratos firmados incluem: R$ 53 milhões com a R7 Facilities, em dezembro de 2023, com vigência até abril de 2025; R$ 970 mil com a Esplanada Serviços Terceirizados Ltda., para prestação de serviços de motoristas terceirizados; e R$ 1,3 milhão com a Microtécnica Informática, em janeiro de 2024, para aquisição de notebooks. As empresas enfrentaram problemas posteriores: a R7 Facilities acumula sanções que impedem novas contratações públicas devido a suspeitas de fraudes em licitações; a Esplanada Serviços Terceirizados Ltda. é apontada como integrante de grupo investigado por fraudes em contratações; e a Microtécnica Informática foi sancionada pela Infraero e pelo Ministério de Portos e Aeroportos por descumprimento de requisitos em outro edital.
Durante o período de investigação, Campos Júnior permaneceu no cargo e chegou a despachar utilizando tornozeleira eletrônica, medida cautelar imposta pela Justiça. A PF o considera um dos “agentes centrais da engrenagem criminosa” no esquema de descontos fraudulentos na folha de pagamento de aposentados do INSS, com indícios de viagens pagas por empresas de fachada ligadas ao empresário Antônio Antunes (conhecido como “Careca do INSS”) e recebimento de R$ 20 mil em propina. A exoneração ocorreu após revelações jornalísticas sobre sua permanência no DNIT apesar das medidas restritivas.
O caso integra um contexto mais amplo de escrutínio sobre o DNIT, órgão frequentemente alvo de operações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeitas de desvios em contratos e licitações. A saída de Campos Júnior ocorre em meio a denúncias de fraudes envolvendo recursos públicos federais, com foco em irregularidades previdenciárias que afetam beneficiários do INSS. A defesa do ex-diretor afirma que seu patrimônio é compatível com suas receitas, que ele não participou de atividades ilícitas e que colocou o cargo à disposição para preservar a instituição e exercer seu direito de defesa.
Especialistas em direito administrativo destacam que a assinatura de contratos com empresas posteriormente sancionadas ou investigadas pode configurar irregularidades, dependendo de análise sobre o momento da contratação e eventuais omissões em diligências prévias. O Ministério dos Transportes ainda não se manifestou oficialmente sobre os desdobramentos, mas o episódio reforça a necessidade de maior transparência em processos licitatórios de autarquias federais.
Detalhes dos contratos e empresas envolvidas
R7 Facilities: Contrato de R$ 53 milhões para serviços não especificados em detalhes na reportagem, mas a empresa enfrenta múltiplas sanções por fraudes em licitações.
Esplanada Serviços Terceirizados Ltda.: R$ 970 mil para motoristas terceirizados; ligada a investigações sobre fraudes em contratações públicas.
Microtécnica Informática: R$ 1,3 milhão para notebooks; sancionada sete meses após o contrato por descumprimento em outro processo.
Contexto da investigação no INSS e saída do cargo
A PF investiga esquema de descontos associativos fraudulentos na folha de aposentados, com Campos Júnior apontado como facilitador. A exoneração foi publicada em 9 de janeiro de 2026, após ele permanecer no cargo mesmo sob monitoramento eletrônico.