A organização iraniana de direitos humanos Hengaw reportou que Erfan Soltani, de 26 anos, preso durante manifestações antigoverno em Karaj, será executado nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026). De acordo com o grupo, as autoridades prisionais confirmaram aos familiares que a sentença de morte é definitiva e irreversível. A informação, divulgada em 13 de janeiro de 2026, ainda não recebeu confirmação independente, e a mídia estatal iraniana manteve silêncio sobre o caso. O episódio intensifica preocupações internacionais sobre o uso da pena capital como instrumento de repressão às ondas de protestos que abalam o Irã desde dezembro de 2025.
Detalhes do caso de Erfan Soltani
Erfan Soltani foi detido em Karaj, cidade satélite de Teerã, durante uma das manifestações que eclodiram no final de dezembro de 2025. Hengaw, sediada na Noruega e especializada em monitoramento de violações na região curda do Irã, afirmou que Soltani enfrentou acusações genéricas de “inimigo de Deus” (moharebeh) e participação em atos violentos contra o regime. A organização destacou que o julgamento ocorreu em processo sumário, sem acesso adequado a defesa legal ou evidências públicas. Familiares foram notificados da execução iminente na prisão de Rajai Shahr, em Karaj, onde Soltani permanece detido.
Contexto das acusações e processo judicial
Casos semelhantes têm sido reportados por grupos de direitos humanos, com acusações vagas usadas para justificar sentenças rápidas. A Anistia Internacional e a Human Rights Watch criticaram o sistema judicial iraniano por falta de transparência e devido processo, especialmente em contextos de protestos. Até o momento, não há detalhes sobre o suposto crime específico de Soltani, e a ausência de cobertura na mídia estatal reforça alegações de opacidade deliberada.
Protestos no Irã: de crise econômica a desafio político
As manifestações iniciaram em bazares de Teerã com paralisações contra a inflação superior a 42% e a desvalorização do rial, que perdeu mais da metade do valor em 2025. Rapidamente, os atos se espalharam para 25 das 31 províncias, incorporando demandas por fim ao regime teocrático, com slogans como “Morte ao ditador” e referências à monarquia Pahlavi. A repressão incluiu uso de munição real, mais de 2 mil prisões e apagão digital prolongado, com internet bloqueada em várias regiões para impedir coordenação e divulgação.
Organizações como Hengaw e Iran Human Rights estimam cerca de 500 mortos desde o início dos protestos, número não confirmado oficialmente. O regime classifica os manifestantes como “vândalos” instigados por potências externas, incluindo Estados Unidos e Israel.
Uso da pena de morte como repressão
O Irã lidera rankings globais de execuções per capita, com centenas de sentenças anuais. Em contextos de protestos, a pena capital tem sido aplicada para intimidar opositores, como nos casos de 2022 após a morte de Mahsa Amini. A execução de Soltani, se confirmada, seria a primeira diretamente ligada aos protestos atuais, elevando temores de escalada repressiva.
Repercussão internacional e monitoramento
A Reuters reportou o caso com base em Hengaw, destacando preocupações com direitos humanos. O presidente americano Donald Trump manifestou apoio aos manifestantes e revelou contatos para negociação com Teerã. A União Europeia e a ONU condenam a repressão e o bloqueio de comunicações. O caso de Soltani reforça apelos por sanções adicionais e monitoramento independente de prisões iranianas.