O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, anunciou sua desistência da candidatura ao governo do Rio Grande do Norte nas eleições de 2026. A decisão atende a um pedido direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso em regime fechado desde dezembro de 2025. Marinho revelou que o recado foi transmitido por intermédio dos advogados de Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essa movimentação ocorre em um momento de reestruturação das alianças políticas no campo conservador, com foco na campanha presidencial de Flávio, escolhido pelo pai para representá-lo na disputa de 2026. O senador potiguar enfatizou que a escolha reflete gratidão, solidariedade e lealdade aos valores representados por Bolsonaro, priorizando a unidade para “resgatar o país”.
Detalhes da comunicação e motivos da desistência
Em entrevista concedida na tarde de quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, Marinho confirmou que recebeu o pedido por meio do advogado de Bolsonaro e diretamente de Flávio, que mantém contato com o ex-presidente. “Recebi de seu advogado e do próprio Flávio, que estão em contato com o presidente. Acredito em ambos”, declarou o senador. A solicitação surge em um contexto desafiador para o bolsonarismo, com o ex-presidente cumprindo pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Marinho optou por abrir mão da candidatura para auxiliar na coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro na região Nordeste, uma área estratégica para ampliar a influência do grupo político. Essa transição visa fortalecer a presença conservadora em estados chave, evitando fragmentações internas que poderiam enfraquecer o bloco nas urnas.
Apoio a novo candidato e impacto regional
Com a desistência, Rogério Marinho anunciou apoio ao ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Podemos), na disputa pelo governo potiguar. A aliança busca consolidar forças no Rio Grande do Norte, onde Marinho exerce liderança como senador. “Neste momento difícil, ele me pede que me some à luta de seu filho, Flávio, para que juntos possamos resgatar o país. A gratidão, a solidariedade e a lealdade a Jair Bolsonaro e ao que ele representa definem a minha decisão”, afirmou Marinho ao oficializar a retirada. Essa mudança pode alterar o cenário eleitoral local, influenciando negociações partidárias e a distribuição de apoios. No Nordeste, região historicamente desafiadora para o bolsonarismo, a coordenação de Marinho representa um esforço para expandir a base, explorando temas como segurança e economia para atrair eleitores.
Contexto das eleições de 2026 e estratégias bolsonaristas
As eleições de 2026 ganham contornos intensos com a participação de Flávio Bolsonaro como representante do pai na corrida presidencial. Bolsonaro, condenado por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, permanece inelegível até 2030, mas exerce influência por meio de aliados. A desistência de Marinho ilustra a estratégia de centralizar esforços em candidaturas nacionais, minimizando disputas regionais que dispersem recursos. Analistas políticos observam que essa abordagem pode fortalecer o PL e aliados no Congresso, onde Marinho lidera a oposição. O partido busca recuperar terreno perdido após as eleições de 2022, priorizando unidade em torno de figuras como Flávio para mobilizar a base conservadora.
Repercussões no Senado e no PL
Como líder da oposição, Rogério Marinho mantém papel chave no Senado, onde coordena ações contra o governo Lula. Sua decisão de priorizar a campanha de Flávio reforça a coesão no PL, evitando candidaturas paralelas que fragmentem votos. No Rio Grande do Norte, o apoio a Álvaro Dias pode atrair eleitores moderados, ampliando o espectro ideológico. Essa articulação demonstra a resiliência do bolsonarismo, mesmo com o ex-presidente preso, utilizando redes de aliados para sustentar narrativas de resistência política.
Perspectivas para o Nordeste e campanha nacional
A coordenação de Marinho na campanha de Flávio no Nordeste visa superar barreiras regionais, onde o PT historicamente domina. Estados como Rio Grande do Norte representam oportunidades para o PL, com foco em pautas econômicas e sociais. A estratégia inclui alianças com partidos como o Podemos, diversificando apoios. Com Bolsonaro transmitindo orientações da prisão, o grupo busca manter relevância, preparando terreno para disputas futuras.