Juiz Cita ‘Ousadia Absurda’ de Delegada que Levou Namorado do PCC à Posse

juiz cita 'ousadia absurda' de delegada que levou namorado do pcc à posse (1)
juiz cita 'ousadia absurda' de delegada que levou namorado do pcc à posse (1)

A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária da delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital, destacou a “ousadia absurda” e o “deboche” da investigada ao levar o namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como ‘Dedel’ e apontado como liderança do PCC no Pará, à sua cerimônia de posse como delegada. O evento ocorreu em 19 de dezembro de 2025, no Palácio dos Bandeirantes. A prisão foi efetuada nesta sexta-feira (16), no âmbito da Operação Serpens, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo e o GAECO do Pará.

Indícios de Ligação com o Crime Organizado

A investigação reuniu provas como gravações, fotografias e termos de audiência que apontam para o envolvimento de Ayub com a facção. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) indicou que a delegada mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes do PCC, inclusive atuando irregularmente como advogada em audiências de custódia para presos da organização criminosa, mesmo após assumir o cargo público. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e Marabá (PA), além de duas prisões temporárias: uma para Ayub e outra para um integrante do PCC em liberdade condicional. A decisão judicial de 13 páginas afirma que os elementos demonstram uma estratégia da facção para influir diretamente nas decisões do Estado, aproximando o país de um narcoestado.

Estratégia da Facção e Recrutamento

De acordo com o juiz, o PCC teria “arregimentado” Ayub para passar em concurso público e atuar em conjunto com o crime organizado. A presença de ‘Dedel’, com condenações criminais e suspeito de atentados contra juízes e agentes de segurança pública, na posse foi citada como demonstração de ousadia e deboche às autoridades. A investigação sugere que essa infiltração visa manipular decisões estatais, com indícios de extrema gravidade que surpreendem até profissionais experientes da Justiça Criminal.

Crimes Suspeitos e Próximos Passos

Ayub deve ser indiciada por exercício irregular da profissão, integrar organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico. A Operação Serpens visa desarticular possíveis conexões entre facções criminosas e agentes públicos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a defesa da delegada foram contactadas, mas não responderam até o momento. O caso segue sob análise judicial, com possibilidade de novas prisões ou revelações sobre infiltração do crime organizado em instituições públicas.

Repercussão e Implicações para a Segurança Pública

O episódio expõe vulnerabilidades no sistema de segurança pública, questionando processos de seleção e monitoramento de servidores. A prisão de uma delegada recém-empossada por laços com o PCC reforça alertas sobre infiltração de facções em órgãos estatais, com impactos na credibilidade das instituições e na luta contra o crime organizado no país.

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