Justiça italiana adia pela quarta vez extradição de Zambelli

justiça italiana adia pela quarta vez extradição de zambelli (1)
justiça italiana adia pela quarta vez extradição de zambelli (1)

A Corte de Apelação de Roma adiou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, pela quarta vez, o julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. A ex-parlamentar do PL-SP foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 15 anos de prisão em dois processos distintos em 2025. O adiamento ocorreu após pedido da defesa para que o caso seja analisado por uma nova turma de juízes, alegando cerceamento de defesa e parcialidade dos magistrados. A corte concedeu prazo de três dias para formalização do recurso de suspeição. O Ministério Público italiano emitiu parecer favorável à extradição em outubro de 2025, mas o processo segue com sucessivos atrasos.

Pedido da defesa e histórico de adiamentos

Em nota divulgada pela defesa de Zambelli, os advogados argumentaram que a composição atual da turma judicial compromete a imparcialidade, solicitando a transferência para outro painel. O documento integral está disponível para consulta. Essa é a quarta postergação desde que o STF e o Itamaraty formalizaram o pedido de extradição à Justiça italiana. A sessão anterior, marcada para 18 de dezembro de 2025, foi adiada a pedido da defesa para análise mais detalhada do relatório. Outras duas audiências também foram remarcadas. A Advocacia-Geral da União acompanha o procedimento para assegurar o cumprimento das decisões judiciais brasileiras, em meio a um processo que se arrasta desde o ano passado.

Fuga e prisão na Itália

Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025, logo após sua primeira condenação pelo STF, tornando-se foragida da Justiça. Seu nome foi incluído na lista vermelha da Interpol por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Em julho de 2025, a ex-deputada optou por se entregar às autoridades italianas, onde permanece detida desde então. A medida reflete a estratégia de aguardar o desfecho do processo de extradição no exterior, evitando o imediato cumprimento da pena no país de origem. Essa situação prolongada gera debates sobre a efetividade da cooperação internacional em casos de crimes políticos e financeiros.

Condenações no STF e detalhes dos processos

A ex-deputada foi sentenciada em dois julgamentos pelo STF. No primeiro, relacionado à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça para inserir alvarás falsos de soltura e mandados de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, Zambelli recebeu pena de 10 anos de prisão por danos coletivos e falsidade ideológica, além de indenização de R$ 2 milhões. O segundo processo refere-se ao episódio na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando perseguiu o jornalista Luan Araújo em São Paulo com uma pistola em mãos. A condenação foi de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

Impactos políticos e perda de mandato

A Câmara dos Deputados rejeitou a cassação do mandato de Zambelli em dezembro de 2025, com 227 votos favoráveis e 170 contrários, insuficientes para os 257 necessários. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes anulou a decisão e decretou a perda imediata do cargo. Em resposta, Zambelli apresentou carta de renúncia. Esses eventos intensificam as discussões sobre accountability de parlamentares condenados, especialmente em contextos de polarização política no Brasil. A extradição, se confirmada, marcaria um precedente em casos envolvendo ex-autoridades.

Contexto da cooperação Brasil-Itália

O pedido de extradição baseia-se em tratados bilaterais entre Brasil e Itália, com foco na execução de penas por crimes graves. O parecer favorável do Ministério Público italiano em outubro de 2025 sinaliza alinhamento com as demandas brasileiras, mas os adiamentos sucessivos destacam desafios processuais no sistema judiciário europeu. Especialistas em direito internacional apontam que fatores como alegações de parcialidade podem prolongar indefinidamente o julgamento, afetando a celeridade da justiça transnacional.

Perspectivas futuras do caso

Com o novo prazo para formalização do recurso, o processo pode enfrentar mais atrasos, dependendo da análise da corte sobre a suspeição. Caso a extradição seja aprovada, Zambelli cumpriria as penas no Brasil. Até o momento, não há data definida para a próxima sessão, mantendo o caso em suspense e sob monitoramento constante pelas autoridades brasileiras.

Leia mais

OMS e mídia internacional elevam o tom de preocupação A imprensa internacional passou a dar destaque ao avanço e aos riscos do...

O Partido dos Trabalhadores (PT) iniciou articulações para montar uma chapa considerada competitiva na eleição para o governo de São Paulo, mirando...

A Corte de Apelação de Roma adiou nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, pela quarta vez, o julgamento sobre a extradição...