Lula planeja usar saída de Lewandowski para indicar ‘Bessias’ ao STF e negociar com centrão

Lewandowski e Lula no planalto

Demissão de Lewandowski abre janela política para indicação de Jorge Messias

Motivos da saída e carta de exoneração por razões pessoais e familiares

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende aproveitar a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, oficializada em 8 de janeiro de 2026, como oportunidade para destravar a indicação de Jorge Messias — atual advogado-geral da União e apelidado de “Bessias” em colunas políticas — ao Supremo Tribunal Federal (STF). A coluna de Cláudio Humberto, publicada no Diário do Poder em 9 de janeiro de 2026, revela que o Planalto estuda separar as pastas de Justiça e Segurança Pública, transferindo ao menos uma delas para o centrão como parte de negociações.

Lewandowski entregou carta de demissão a Lula alegando “razões de caráter pessoal e familiar”, a partir de 9 de janeiro de 2026. Ele assumiu o cargo em fevereiro de 2024, após aposentadoria do STF, substituindo Flávio Dino (indicado à Corte). A saída ocorre sem aprovação da PEC da Segurança Pública, principal proposta do governo para maior atuação da União no combate ao crime organizado. Fontes indicam que frustrações com tramitações no Congresso, desgaste pré-eleitoral de 2026 e desejo de priorizar família e advocacia motivaram a antecipação.

O interino será Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-executivo da pasta. Nomes cotados para sucessão incluem Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF), Rodrigo Pacheco (ex-presidente do Senado, PSD-MG) e perfis ligados ao PT.

Negociações com o Senado e centrão para viabilizar Messias

Aceno a Davi Alcolumbre e risco de “escambo” político

A indicação de Messias ao STF enfrenta resistência desde 2025, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e de parlamentares que preferem nomes como Rodrigo Pacheco. Lula planeja aceno ao senador amapaense para melhorar o clima institucional, possivelmente nomeando Pacheco ou aliado para uma das pastas separadas. No entanto, aliados alertam que tal nomeação tornaria demissão futura “declaração de guerra”.

A estratégia envolve costurar apoio de senadores para aprovação da sabatina de Messias, em troca de cargos ou benefícios. A novela da indicação dura desde o ano passado, com críticas de que o governo ignora o papel do Senado na escolha de ministros do STF.

Contexto da debandada ministerial e críticas ao legado de Lewandowski

Primeira saída de 2026 e legado criticado por opositores

A coluna destaca que Lewandowski pode ser o primeiro de mais de 20 ministros a deixar o governo em 2026, devido à desincompatibilização para eleições. Deputada Julia Zanatta (PL-SC) criticou o legado: “crime organizado mais forte, mais ousado e mais armado”. Outros temas da coluna incluem regalias de voos na FAB (1.778 decolagens em 2025 com autoridades), veto de Lula ao PL da Dosimetria (que deve ser derrubado, segundo Sóstenes Cavalcante, PL-RJ) e anulação por Alexandre de Moraes de sindicância do CFM sobre omissão médica a Jair Bolsonaro.

A manobra reflete articulações políticas intensas no início de 2026, com foco em composição do governo, Congresso e STF em ano pré-eleitoral.

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