O Mercosul assinou nesta quarta-feira (17 de janeiro de 2026) o aguardado acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), em cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, durante a reunião de cúpula do bloco sul-americano. A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou o evento, atribuída a compromissos internos no Brasil, mas que gerou especulações sobre divergências no bloco. O tratado, negociado por mais de duas décadas, visa eliminar tarifas para 90% das mercadorias comercializadas entre os blocos, impulsionando exportações agrícolas sul-americanas e abrindo mercados para produtos industriais europeus. Representantes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil interino assinaram o documento ao lado de autoridades da UE, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Detalhes do Acordo e Impactos Econômicos
O acordo prevê redução gradual de barreiras tarifárias ao longo de 15 anos, com foco em setores como agricultura, indústria e serviços. Para o Mercosul, espera-se aumento de 20% nas exportações para a UE, beneficiando produtos como carne bovina, soja e frutas. A UE, por sua vez, ganha acesso preferencial para veículos, maquinário e produtos químicos. Estimativas da Comissão Europeia indicam que o pacto pode adicionar € 4 bilhões anuais ao comércio bilateral, alcançando € 100 bilhões em 2030. No entanto, cláusulas ambientais e de direitos humanos foram incluídas para atender preocupações europeias, com mecanismos de monitoramento para evitar desmatamento ilegal.
Ausência de Lula e Reações no Bloco
A não participação de Lula foi justificada pelo Palácio do Planalto como agenda conflituosa, mas fontes diplomáticas apontam para descontentamento com termos do acordo, especialmente restrições ambientais que impactam o agronegócio brasileiro. O presidente paraguaio, Santiago Peña, anfitrião do evento, elogiou o pacto como “vitória coletiva”. A Argentina, sob Javier Milei, e o Uruguai defenderam a assinatura rápida, enquanto o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Críticos no Brasil, como entidades ambientalistas, alertam para riscos ao meio ambiente, enquanto o setor agro celebra o acesso a novos mercados.
Próximos Passos e Ratificação
O acordo entra em fase de ratificação nos parlamentos dos blocos. Na UE, o processo pode levar até dois anos, com debates no Parlamento Europeu sobre sustentabilidade. No Mercosul, a aprovação depende de congressos nacionais, com o Brasil como peça-chave. Especialistas estimam impactos positivos no PIB sul-americano em 1,5% ao ano, mas alertam para desigualdades regionais. A assinatura sem Lula reforça debates sobre liderança no bloco e autonomia nas negociações internacionais.
Implicações para o Brasil
Para o Brasil, o tratado representa oportunidade de diversificação comercial, mas exige ajustes em setores sensíveis como automotivo e lácteo. O governo Lula deve equilibrar interesses internos ao encaminhar a ratificação ao Congresso, em meio a pressões de aliados ambientalistas e agrários.