Mulheres queimando foto de Khamenei viram novo símbolo dos protestos no Irã

mulheres queimando foto de khamenei viram novo símbolo dos protestos no irã
mulheres queimando foto de khamenei viram novo símbolo dos protestos no irã

Imagens de mulheres iranianas queimando fotografias do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei se tornaram o símbolo mais potente da onda de protestos que sacode o Irã desde o final de dezembro de 2025. As cenas, capturadas em vídeos clandestinos que circulam por canais de oposição no exterior, mostram manifestantes em Teerã, Mashhad, Isfahan e outras cidades ateando fogo a retratos oficiais do aiatolá, gesto que representa rejeição direta à autoridade religiosa e política suprema do regime. O ato ecoa o simbolismo da Revolução Islâmica de 1979, quando multidões queimavam imagens do xá Reza Pahlavi, mas agora invertido contra os próprios líderes teocráticos. Até 13 de janeiro de 2026, os protestos já deixaram cerca de 500 mortos pela repressão governamental, segundo estimativas de organizações de direitos humanos.

Contexto do gesto e significado simbólico

A queima de retratos de Khamenei ganhou força após o apagão digital imposto pelo regime, que bloqueou internet e telefonia em massa para dificultar a coordenação e divulgação dos atos. Apesar das restrições, vídeos curtos vazam por VPNs, Starlink e redes de exilados, mostrando mulheres – muitas sem véu obrigatório – ateando fogo às imagens em praças e ruas. O gesto é interpretado como recusa ao culto à personalidade e à autoridade vitalícia do líder supremo, que governa desde 1989. Slogans como “Morte ao ditador” e “Khamenei, saia fora” acompanham as cenas, junto a referências ao retorno da monarquia Pahlavi, indicando radicalização das demandas.

As manifestações eclodiram inicialmente como revolta econômica: inflação superior a 42%, desvalorização do rial para níveis próximos de 1 milhão por dólar e custo de vida insustentável. A guerra de 12 dias com Israel em 2025 agravou o isolamento e as sanções, enfraquecendo o regime. O movimento resgata o espírito do “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022, após a morte de Mahsa Amini, mas agora com maior alcance geográfico e maior ousadia simbólica.

Repressão e dificuldades de documentação

A resposta do regime inclui uso de munição real, prisões em massa (mais de 2 mil detidos) e blackout de comunicações, o mais prolongado desde 2019. O chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, justificou o aumento da repressão para proteger infraestrutura pública. A falta de internet dificulta a verificação independente, mas imagens que escapam mostram mulheres liderando atos de desobediência civil, desafiando a lei do hijab obrigatório e a autoridade patriarcal do regime.

Repercussão internacional e apoio externo

As imagens viralizaram em redes sociais no exterior, com solidariedade em cidades como Londres, onde manifestantes trocaram a bandeira iraniana na embaixada por uma do antigo regime monárquico. O presidente americano Donald Trump declarou apoio aos iranianos em busca de liberdade e revelou que o Irã procurou contatos com os EUA para negociar. Organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch condenam a repressão e alertam para risco de escalada. O Irã acusa Washington e Tel Aviv de instigarem os protestos.

O gesto de queimar fotos de Khamenei reforça a percepção de erosão da legitimidade do regime teocrático, em um momento de crise econômica, isolamento geopolítico e descontentamento acumulado, com implicações para a estabilidade no Oriente Médio.

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