PF deflagra operação e mira deputado Félix Mendonça Jr. em suspeita de desvio de emendas

pf deflagra operação e mira deputado félix mendonça jr. em suspeita de desvio de emendas
pf deflagra operação e mira deputado félix mendonça jr. em suspeita de desvio de emendas

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (13 de janeiro de 2026) a Operação “Emenda Proibida”, que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares federais destinadas a municípios da Bahia. O principal alvo é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), que teve mandado de busca e apreensão cumprido em seu gabinete na Câmara dos Deputados, em Brasília, e em endereços residenciais e empresariais em Salvador e outras cidades baianas. A ação ocorre no âmbito de inquérito instaurado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Detalhes da operação e alvos

A operação mobilizou cerca de 80 policiais federais e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), Salvador, Camaçari e Simões Filho (BA). Foram apreendidos documentos, celulares, computadores e mídias digitais. A PF investiga a prática de crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a corporação, há indícios de que parte das emendas parlamentares – destinadas a obras de infraestrutura, saúde e educação em municípios baianos – teria sido direcionada para empresas ligadas a familiares e assessores do deputado, com superfaturamento e pagamento de propina.

Félix Mendonça Júnior, que cumpre seu segundo mandato na Câmara e é filho do ex-deputado Félix Mendonça (falecido em 2015), é apontado como articulador do esquema. A suspeita é de que o parlamentar indicava as empresas beneficiadas e recebia vantagens indevidas em troca da liberação das emendas. A PF destaca que as investigações tiveram origem em delações premiadas e cruzamento de dados bancários e fiscais.

Contexto das emendas e volume investigado

As emendas parlamentares sob suspeita somam dezenas de milhões de reais, liberadas entre 2023 e 2025. O mecanismo de emendas de relator (RP9) e de comissão, amplamente utilizado no período, tem sido alvo de críticas por falta de transparência e controle. No caso baiano, os recursos teriam sido aplicados em contratos de pavimentação, construção de unidades de saúde e aquisição de equipamentos, com indícios de irregularidades em licitações e execução das obras.

Posição do deputado e desdobramentos

O deputado Félix Mendonça Júnior divulgou nota em que nega qualquer irregularidade e afirma que as emendas foram indicadas dentro da legalidade, com finalidade pública e prestação de contas regular. Ele classificou a operação como “perseguição política” e disse que colocará todos os documentos à disposição da Justiça para comprovar a lisura de suas ações. A assessoria do parlamentar informou que ele está colaborando com as investigações.

A PGR e o STF acompanham o caso, que tramita sob sigilo parcial. A PF informou que novas fases da operação podem ocorrer conforme o avanço das perícias e análise do material apreendido.

Impacto político na Bahia e no PDT

A operação atinge diretamente o PDT baiano, partido que tem Félix Mendonça Júnior como uma de suas principais figuras na Câmara. O episódio pode influenciar articulações para 2026, ano de eleições municipais e estaduais, especialmente na região metropolitana de Salvador, onde o deputado mantém forte base eleitoral. O caso reforça o escrutínio sobre o uso de emendas parlamentares, tema recorrente em investigações federais nos últimos anos.

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