PF ouve oito investigados no inquérito do Banco Master: depoimentos revelam detalhes de fraudes bilionárias em cessão de créditos podres

pf ouve oito investigados no inquérito do banco master depoimentos revelam detalhes de fraudes bilionárias em cessão de créditos podres (1)
pf ouve oito investigados no inquérito do banco master depoimentos revelam detalhes de fraudes bilionárias em cessão de créditos podres (1)

A Polícia Federal (PF) iniciou, em 26 de janeiro de 2026, uma nova etapa do inquérito que apura irregularidades no Banco Master, com depoimentos de oito investigados marcados para os dias 26 e 27 de janeiro. As oitivas ocorrem no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes na tentativa de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília), incluindo a cessão de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes ou podres. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

As convocações buscam esclarecer a participação de executivos e empresários em operações que teriam gerado liquidez artificial ao Banco Master por meio de cédulas de crédito bancário (CCBs) fraudulentas e uso de empresas de fachada. Daniel Vorcaro, controlador do banco, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, já prestaram depoimentos em dezembro de 2025, com acareação entre eles devido a divergências sobre a venda de créditos.

Lista de investigados convocados e papéis no esquema apontado pela PF

Os oito investigados convocados pela PF incluem figuras ligadas diretamente ao Banco Master, ao BRB e a empresas intermediárias. As oitivas ocorrem por videoconferência ou presencialmente no STF, com apenas três prestando depoimento presencial: Roberto Bonfim Mangueira, Luiz Antonio Bull e Augusto Ferreira Lima.

Augusto Ferreira Lima: ex-sócio do Master, responsável por decisões institucionais e relações públicas. Atuou como interlocutor principal com o BRB nas operações de cessão de créditos e controlava associações usadas para justificar falsamente a origem dos créditos ao Banco Central.

Henrique Souza e Silva Peretto: proprietário formal da Tirreno, empresa apontada como fachada. Aumentou o capital social da companhia de R$ 100 mil para R$ 30 milhões de forma incompatível com operações regulares, para dar aparência de solidez econômica.

André Felipe de Oliveira Seixas Maia: ex-funcionário do Master que se tornou diretor da Tirreno. Envolvido na aquisição de créditos da Tirreno sem pagamento real e posterior revenda ao BRB.

Luiz Antonio Bull: ex-diretor do Banco Master. Assinou instrumentos entre o banco e a Tirreno, além de ofícios a órgãos de controle sobre as operações questionadas.

Alberto Felix de Oliveira Neto: ex-diretor do Master. Signatário do contrato de parceria com a Tirreno e outros instrumentos sob investigação.

Angelo Antonio Ribeiro da Silva: ex-diretor do Banco Master. Participou da emissão fraudulenta de CCBs revendidas ao BRB para gerar liquidez artificial.

Dario Oswaldo Garcia Júnior: ex-diretor financeiro do BRB. Investigado por gestão fraudulenta na tentativa de socorro ao Master, responsável por conformidade de informações enviadas ao Banco Central.

Robério Cesar Bonfim Mangueira: ex-superintendente de Operações Financeiras do BRB. Apresentou ofício ao Banco Central justificando transferências de recursos ao Master.

Contexto da operação e suspeitas de crimes contra o sistema financeiro

A investigação aponta que o Banco Master utilizou a Tirreno como veículo para emitir créditos inexistentes, revendidos ao BRB sem contrapartida real, em meio a crise de liquidez da instituição. Os crimes suspeitos incluem contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, gestão temerária e participação em organização criminosa. Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 e solto em 28 de novembro com monitoramento eletrônico.

O ministro Toffoli reduziu o prazo das oitivas de seis para dois dias, excluindo novo depoimento de Vorcaro. As defesas dos investigados negam irregularidades e afirmam que as operações seguiram normas regulatórias.

Avanço do inquérito em momento sensível para o setor bancário

Os depoimentos desta semana representam etapa crucial para consolidação de provas na operação, com foco em documentos assinados, justificativas ao Banco Central e estrutura das empresas envolvidas. O caso expõe vulnerabilidades em negociações de carteiras de crédito e tentativas de aquisição entre instituições financeiras, com impactos potenciais na regulação bancária e na confiança do mercado.

O inquérito continua sob sigilo parcial, com expectativa de novas diligências após análise dos depoimentos.

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