Protestos no Irã explodem: 500 mortos e regime enfrenta maior ameaça em décadas

protestos no irã explodem 500 mortos e regime enfrenta maior ameaça em décadas
protestos no irã explodem 500 mortos e regime enfrenta maior ameaça em décadas

O Irã vive uma das maiores ondas de protestos desde a Revolução Islâmica de 1979, com manifestações que já deixaram cerca de 500 mortos pela repressão governamental, segundo estimativas de organizações de direitos humanos e observadores internacionais. Os atos, iniciados no final de dezembro de 2025, começaram como revolta contra a crise econômica – inflação acima de 42%, desvalorização drástica do rial e custo de vida insustentável –, mas rapidamente evoluíram para demandas políticas radicais, incluindo o fim do regime teocrático e referências ao retorno da monarquia Pahlavi. O movimento representa o maior desafio à autoridade do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei em anos, com protestos espalhados por 25 das 31 províncias do país.

Causas econômicas que detonaram os protestos

A crise econômica foi o gatilho imediato. O rial perdeu mais da metade de seu valor em 2025, chegando a níveis próximos de 1 milhão por dólar no mercado paralelo. A inflação oficial ultrapassou 42% em dezembro de 2025, com picos interanuais acima de 50% em alimentos e bens essenciais. A guerra de 12 dias contra Israel no mesmo ano agravou o isolamento internacional, enfraqueceu aliados regionais como o Hezbollah e intensificou sanções dos Estados Unidos e União Europeia relacionadas ao programa nuclear. Comerciantes de bazares em Teerã iniciaram paralisações, fechando lojas em protesto contra a desvalorização e os preços altos, o que rapidamente se espalhou para outras cidades.

Fatores agravantes e legado de 2022

Os protestos atuais resgatam o espírito do movimento “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022-2023, desencadeado pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial por suposta violação do código de vestimenta. A confiança pública no regime diminuiu desde então, com a percepção de que promessas de reforma do presidente Masoud Pezeshkian (eleito em 2025) não foram cumpridas, incluindo suspensão da censura à internet e melhoria na gestão econômica.

Repressão brutal e apagão digital

As forças de segurança respondem com munição real, resultando em centenas de feridos e mais de 2 mil prisões. O país vive apagão de internet há dias, com bloqueio total em várias províncias, dificultando coordenação e divulgação de imagens. Slogans como “Morte ao ditador” e “Pahlavi voltará” dominam as ruas, com manifestantes incendiando prédios públicos e veículos oficiais. O líder supremo Khamenei classificou os atos como vandalismo orquestrado por inimigos externos, enquanto o presidente Pezeshkian acusou diretamente Estados Unidos e Israel.

Impacto no regime e legitimidade interna

O movimento expõe fragilidades graves: erosão da legitimidade popular, dependência crescente da repressão armada e isolamento internacional. Analistas apontam que a repressão pode conter os atos no curto prazo, mas alimenta ressentimento de longo prazo, especialmente entre jovens e classes médias urbanas. A ausência de oposição organizada dificulta uma transição imediata, mas o custo humano eleva pressões internas e externas sobre o regime.

Repercussão internacional e apoio externo

O presidente americano Donald Trump declarou na Truth Social que os EUA estão prontos para ajudar os iranianos em busca de liberdade. Manifestantes em Londres trocaram a bandeira iraniana na embaixada por uma do antigo regime monárquico. A ONU e entidades de direitos humanos condenam a repressão e o bloqueio de comunicações, alertando para risco de “massacre” em escala. O Irã advertiu que retaliará contra qualquer intervenção externa.

O episódio reforça a vulnerabilidade do regime em um contexto de crise econômica, isolamento geopolítico e descontentamento acumulado, com implicações para estabilidade regional no Oriente Médio.

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