Quando questionar o Banco Central vira pecado

O Tribunal de Contas da União fez o que qualquer órgão de controle deve fazer: pediu explicações sobre a liquidação acelerada do Banco Master e deu 72 horas para a resposta.

O prazo venceu. O Banco Central não respondeu.
Esse silêncio já seria suficiente para gerar desconforto. Mas o que veio depois foi ainda mais revelador. Antes de explicar os critérios técnicos da decisão, entidades do sistema financeiro se uniram para defender o Banco Central, tratando o simples ato de questionar como uma ameaça à estabilidade.

Nesse contexto, figuras como Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos e ex-alto executivo do próprio Banco Central, pavimentam um discurso de defesa incondicional dos interesses bancários, frequentemente mais alinhado com a manutenção do poder oligopolístico do que com a transparência que a sociedade exige. Sidney, cuja carreira inclui direção e papel de procurador no Banco Central e agora liderança na Febraban, simboliza essa resistência a qualquer escrutínio que possa incomodar o arranjo estabelecido.

Desde quando pedir explicações virou ataque institucional?
A reação desproporcional não protege a técnica. Protege o arranjo. Um sistema altamente concentrado, onde bancos médios que crescem fora do script incomodam, e onde decisões extremas não devem ser questionadas.

Se a liquidação foi tão correta, por que a dificuldade em explicar?
E por que tanto incômodo com perguntas?

Talvez a nota conjunta não revele força. Revele medo.
Medo de que a fratura do oligopólio fique visível.

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