O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara-se para receber um briefing nesta terça-feira (13 de janeiro de 2026) sobre opções para responder aos protestos em massa no Irã, que já resultaram em mais de 500 mortes, conforme relatórios de organizações de direitos humanos. As manifestações, iniciadas no final de dezembro de 2025 por conta da disparada de preços e do colapso da moeda iraniana – o rial perdeu metade de seu valor no último ano, atingindo cerca de 1 milhão por dólar –, evoluíram para um movimento antigovernamental amplo, desafiando o regime islâmico. Teerã respondeu com repressão intensa, incluindo corte de internet e telefonia em todo o país, e acusou os EUA e Israel de fomentarem os distúrbios. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o líder supremo Aiatolá Ali Khamenei mantiveram postura firme, com o último declarando na sexta-feira (9 de janeiro de 2026) que o governo não recuará.
Opções em Análise Incluem Ataques Cibernéticos e Militares
As opções apresentadas aos assessores de Trump abrangem medidas não cinéticas, como fortalecimento de fontes antigovernamentais online e imposição de sanções adicionais, além de ações mais agressivas, incluindo ciberataques contra alvos militares e civis, ataques direcionados com drones e mísseis, ou bombardeios a infraestruturas nucleares, militares e governamentais. Essas estratégias visam reduzir as capacidades do regime iraniano de reprimir os protestos e impedir ações disruptivas na região. Especialistas consultados, como Matt Gertken, estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research, destacaram que os EUA dispõem de ferramentas variadas, desde sabotagem cibernética até ataques aéreos e marítimos, mas alertaram para a capacidade de retaliação do Irã, especialmente contra infraestrutura energética regional. Gertken enfatizou que o governo Trump não busca destruir o regime a menos que a situação se agrave significativamente.
Declarações de Trump e Possível Colaboração com Elon Musk
Trump expressou apoio explícito aos manifestantes iranianos por meio de postagem na Truth Social no sábado (11 de janeiro de 2026): “O Irã está buscando a LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!”. No domingo (12 de janeiro de 2026), a bordo do Air Force One, o presidente afirmou a repórteres: “Estamos analisando isso com muita seriedade. Os militares estão analisando, e estamos considerando algumas opções muito fortes. Tomaremos uma decisão”. Ele mencionou ainda a possibilidade de restabelecer o acesso à internet no Irã, bloqueado inclusive para a rede Starlink, e indicou contato com Elon Musk: “Podemos reativar a internet, se for possível. Podemos falar com Elon Musk. Vou ligar para ele assim que terminar com vocês”. Essa abordagem reflete uma estratégia multifacetada, combinando suporte tecnológico com pressão geopolítica.
Repercussões Regionais e Análises de Especialistas
Os protestos representam o maior desafio ao regime islâmico em anos, com impacto na legitimidade do sistema, conforme análise de Sanam Vakil, da Chatham House. Danny Citrinowicz, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, apontou o dilema de uma intervenção: ataques fortes poderiam enfraquecer a repressão, mas também unir o regime e escalar conflitos, sem garantias de sucesso estratégico devido à ausência de uma oposição organizada. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que qualquer ataque dos EUA resultaria em retaliações contra Israel e bases americanas na região. Dan Yergin, vice-presidente da S&P Global, descreveu os atos como os mais profundos e generalizados recentemente, com a postura de Trump evoluindo diariamente, influenciada por sua agenda histórica contra o Irã. Não há indícios de movimentação militar significativa dos EUA, como envio de tropas, o que sugere foco em opções de menor risco inicial.
Contexto Econômico e Geopolítico da Crise no Irã
A vulnerabilidade do Irã foi agravada por sanções internacionais e pela recente guerra de 12 dias com Israel em 2025, que enfraqueceu aliados regionais. Os manifestantes, espalhados por diversas províncias, demandam mudanças radicais, incluindo referências ao retorno da monarquia Pahlavi. O bloqueio de comunicações dificulta a coordenação dos protestos, mas também isola o regime de informações externas. A potencial intervenção americana ocorre em um momento de tensões globais elevadas no Oriente Médio, com implicações para fluxos de energia e estabilidade regional. O governo iraniano mantém alerta máximo, com forças de segurança utilizando munição real e realizando prisões em massa, totalizando milhares de detidos.