O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026) que o “massacre no Irã está cessando” e que não há planos de execuções de detidos, com base em informações de uma “boa fonte”. A declaração ocorreu durante evento na Casa Branca, em meio à escalada de tensões provocada pela repressão violenta às manifestações no Irã, que já deixaram ao menos 3.428 mortos segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega. Apesar do tom de alívio em relação à violência, Trump manteve ambiguidade sobre uma possível intervenção militar americana, respondendo a questionamento de jornalista da AFP com a frase: “Vamos observar e ver o que acontece depois”.
Contexto das manifestações e repressão no Irã
As manifestações no Irã iniciaram-se como protestos contra o alto custo de vida, mas evoluíram para um amplo movimento contra o regime teocrático instaurado após a Revolução Islâmica de 1979 e liderado desde 1989 pelo aiatolá Ali Khamenei. Grupos de direitos humanos denunciam que as autoridades aproveitaram um corte de internet superior a 144 horas — conforme monitoramento da Netblocks — para realizar a repressão mais severa em anos. A ONG IHR reporta mais de 10 mil detenções, com números reais possivelmente maiores. Vídeos verificados pela AFP mostram dezenas de corpos em necrotério no sul de Teerã, enquanto o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) descreve “brutalidade sem precedentes” e redução drástica na intensidade dos protestos nos últimos dias.
Declarações de Trump e resposta iraniana
Trump destacou que foi informado de que “o massacre no Irã está cessando, cessou” e que “não há planos de execuções”. O chanceler iraniano Abbas Araghchi, em entrevista à Fox News, corroborou que não haverá execuções de manifestantes “nem hoje nem amanhã”. O grupo Hengaw informou que a execução programada do manifestante Erfan Soltani foi adiada. Em contrapartida, o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, acusou Trump e o premiê israelense Benjamin Netanyahu de serem “assassinos da juventude do Irã” e afirmou que as forças estão preparadas para responder com firmeza. Autoridades iranianas organizaram marchas de “resistência nacional” e funerais de mais de 100 membros das forças de segurança, declarando “controle total da situação” e “calma” após operações.
Impactos regionais e posicionamento internacional
As tensões levaram à evacuação parcial da base americana Al Udeid, no Catar — a maior dos EUA no Oriente Médio e alvo de mísseis iranianos em junho de 2025, em retaliação a bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas. O Reino Unido fechou temporariamente sua embaixada em Teerã, e a Espanha recomendou que cidadãos deixem o país. Os líderes do G7 manifestaram-se “profundamente alarmados” com o número de mortos e feridos, advertindo sobre novas sanções caso a repressão persista. Trump havia ameaçado anteriormente operação militar para conter a violência, cancelando reuniões com autoridades iranianas até o fim do “massacre sem sentido”.
A declaração de Trump sinaliza monitoramento contínuo da situação em um país de 86 milhões de habitantes, onde o corte de comunicações dificulta a verificação independente de informações. O episódio reforça o delicado equilíbrio entre pressão externa, direitos humanos e riscos de escalada militar no Oriente Médio.